UA-116285209-1 Preparo para cirurgia de tratamento do câncer de bexiga

Tratamento de tumores de bexiga invasivos - Remoção completa da bexiga - Sem reconstrução de novo reservatório (Cirurgia de Bricker)

Orientações antes da cirurgia

ORIENTAÇÕES GERAIS IMPORTANTES

 

Antes da cirurgia:

- Previamente a internação o paciente deverá passar em consulta com a equipe de enfermagem no Ambulatório de Curativos da equipe de Urologia, onde receberá informações prévias sobre a urostomia, manejo e cuidados que o paciente terá com a mesma no pós-operatório.

- Na internação hospitalar, leve todos os exames realizados para a cirurgia.

- O jejum para a cirurgia deve ser de pelo menos 8 horas, incluindo água.

- Não há necessidade de raspagem dos pêlos do abdômen e região pubiana (tricotomia) em casa. Se existir indicação, este procedimento será realizado no hospital momentos antes da cirurgia.

- Lavagem mecânica do reto (Fleet enema ou clister) não é feita de rotina. Excepcionalmente, em situações específicas, esse procedimento pode ser necessário.

- Alergias a medicamentos, látex, alimentos e outros devem ser informados a equipe médica e de enfermagem no momento da internação.

- Medicações anti-hipertensivas (remédios para pressão alta) devem ser tomados até mesmo no dia da cirurgia com a mínima quantidade de água para engoli-los.

 

- Algumas medicações devem ser interrompidas previamente a cirurgia:

- Hipoglicemiantes orais (remédios para diabetes) devem ser suspensos na véspera da cirurgia.

- Antiagregantes plaquetários como ácido acetilsalicílico (AAS®, Somalgin®, etc.) e clopidogrel (Plavix®, etc.) devem ser suspensos pelo menos 7 dias antes da cirurgia se o paciente fizer uso de apenas uma destas medicações. Se utilizar as duas medicações, o uso deve ser interrompido 10 dias antes do procedimento cirúrgico.

- Pacientes que utilizam anticoagulantes como Varfarina (Marevan®) ou Rivaroxabana (Xarelto®) devem interromper a medicação por 5 e 3 dias, respectivamente. Neste período, alguns pacientes necessitarão utilizar Enoxaparina Sódica ou Heparina Não-fracionada até a véspera da cirurgia.

 

Após a cirurgia:

- Por se tratar de cirurgia de grande porte, em geral, o pós-operatório imediato é realizado na UTI, onde o paciente permanecerá cerca de 24 a 48h ou até que a equipe médica julgue adequado antes de o paciente ir para o quarto.

- Devido a manipulação do intestino na cirurgia, todos os pacientes permanecem em jejum após o procedimento por cerca de 24 a 48h, quando a dieta é reintroduzida aos poucos, iniciando-se com líquidos e progredindo de acordo com a aceitação do paciente, regularização do funcionamento intestinal e avaliação da equipe médica. Períodos maiores de jejum podem ser necessários em alguns casos.

- Em geral, na manhã seguinte a cirurgia, sempre que possível, o paciente já deve ser mobilizado fora do leito com intuito de realizar deambulação precoce.

- Após o procedimento cirúrgico, o paciente permanecerá com uma urostomia (pertuito cutâneo na região abdominal por onde ocorrerá a eliminação de urina). Neste local será adaptado uma bolsa coletora própria, a qual, durante a internação hospitalar, será manipulada pela equipe médica e de enfermagem a fim de orientar paciente e familiares sobre o cuidado com a mesma. Através da urostomia permanecerão dois cateteres que facilitarão a drenagem de urina através dos rins e ureteres diretamente para a bolsa coletora. Estes cateteres, em geral, são retirados após 14 dias.

- Um dreno abdominal fechado com sistema de aspiração a vácuo (dreno de Blake) é mantido para drenagem de secreções do local da cirurgia.

 

Após a alta hospitalar:

- Alimentação:

 - Não existem restrições alimentares específicas, devendo o paciente se alimentar de forma saudável. Recomenda-se evitar nas primeiras semanas alimentos de digestão mais difícil como, por exemplo, frituras, alimentos com grande teor de gorduras ou muito condimentados e doces, por causarem acúmulo de gases intestinais.

- Líquidos (água, chá e sucos naturais) podem ser ingeridos de maneira abundante.

 

- Cuidados com a incisão:

- Curativos protegendo a incisão devem ser trocados diariamente, de preferência após o banho. Se houver saída de secreção pela ferida que suje abundantemente o curativo, este pode ser trocado mais de uma vez ao dia. O curativo pode ser molhado e, depois do banho, deve ser removido cuidadosamente e a ferida, então, é limpa com soro fisiológico, seca, e recoberta com gaze ou diretamente com micropore.

- Geralmente, não há necessidade de retirada de pontos cirúrgicos, pois utilizamos fio absorvível.

- Se a pele em torno da incisão estiver muito irritada por ação da fita adesiva, pode-se empregar esparadrapo antialérgico, ou mesmo, deixar a incisão descoberta.

 

- Cuidados com o dreno abdominal:

- Em algumas situações, o paciente pode necessitar ir de alta hospitalar utilizando o dreno abdominal. O dreno abdominal (dreno de Blake) apresenta um sistema fechado para drenagem a vácuo das secreções do local da cirurgia. O seu coletor deve ser esvaziado 3 vezes ao dia ou sempre que o mesmo estiver cheio e sem vácuo. A quantidade desprezada, o dia e horário devem ser anotados para avaliação posterior da equipe médica. Em geral, o dreno é retirado quando apresenta débito inferior a 100 ml em um período de 24h.

 

- Atividades Físicas:

- Nas primeiras 4 semanas após a cirurgia, o paciente deve manter repouso relativo, evitando atividades profissionais intensas, carregar pesos (inclusive crianças de colo e animais de estimação) e executar qualquer tipo de exercício físico intenso. Entretanto, neste período, é importante que o paciente se movimente de maneira cuidadosa, estando liberado para caminhadas diárias cuidadosas.

- Após 4 semanas de cirurgia, o paciente poderá realizar atividades suaves como caminhadas pouco mais longas. Atividades profissionais que não exijam esforço físico podem ser retomadas se o paciente desejar. Atividades mais exaustivas como, por exemplo, condução de veículos automotores, corridas, flexões abdominais, jogos de tênis e futebol, cavalgada, bicicleta ou ginástica que implique em esforço muscular mais acentuado serão liberadas de acordo com cada caso após avaliação da equipe médica.

- Após a alta, o paciente pode subir e descer escadas desde que feito de maneira cuidadosa.

- Atividade sexual pode ser reiniciada cerca de 6 semanas após a intervenção cirúrgica. No caso dos homens deve-se avaliar a presença de ereções, devendo-se ter em mente que as primeiras experiências poderão ser acompanhadas de algum desconforto na região genital.

- No momento adequado e se não existir contraindicação, a equipe médica prescreverá medicações com intuito de estimular a recuperação das ereções (Tadalafil, Sildenafil, entre outros).

 

- Medicações:

- No momento da alta, você será orientado sobre as medicações que utilizará em casa. Em geral, são prescritos analgésicos para dores leves e, quando necessário, medicações para gases e laxativos. Antibióticos são utilizados apenas de maneira profilática antes da cirurgia e não são prescritos para casa a não ser em casos selecionados que a equipe médica julgue necessário.

- A prevenção de tromboembolismo venoso será feita com o estímulo a deambulação precoce, uso de dispositivos de compressão pneumática intermitente, meias elásticas compressivas e, quando indicado, de medicações como a Enoxaparina Sódica ou Heparina Não-fracionada, aplicadas através de injeções subcutâneas, de acordo com o seu risco para o desenvolvimento TEV.

 

- Atenção: Em caso de dores intensas que não melhore com os analgésicos prescritos, sangramentos importantes pela sonda ou dreno, febre, secreção amarelada espessa (pus), falta de ar associada a dor durante a respiração, mal-estar associado a queda da pressão ou qualquer outra complicação ou dúvida, dirija-se diretamente a emergência do Hospital onde foi operado(a).

 

- Observação: Estas são informações que servem como orientações gerais para o paciente. Não substitui a orientação pessoalmente dada pelo médico assistente e que deve ser individualizada de acordo com características do paciente, de sua doença e da operação programada.

©  2019 por Clínica Uro Onco. Responsável técnico: Dr. Bruno Benigno CRM SP: 126265

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