Biópsia de Próstata Transperineal vs. Transretal: Qual é Mais Segura e Precisa?
- Dr. Bruno Benigno

- 9 de abr.
- 3 min de leitura
A biópsia de próstata é um dos procedimentos mais importantes no diagnóstico do câncer de próstata. A escolha da técnica — transretal ou transperineal — pode impactar diretamente a sua segurança, o risco de infecção e a precisão do resultado. Neste artigo, o Dr. Bruno Benigno explica as diferenças entre as duas abordagens e o que as diretrizes internacionais de 2024 recomendam.
O que é a biópsia de próstata e quando ela é indicada?
A biópsia de próstata coleta fragmentos do tecido prostático para análise histológica, verificando se há células cancerosas presentes. Ela é indicada principalmente quando o PSA (antígeno prostático específico) está elevado ou em ascensão progressiva, quando o exame de toque retal identifica alterações suspeitas, ou quando a ressonância magnética mostra uma lesão com escore PI-RADS 3, 4 ou 5. Lesões PI-RADS 4 têm, em média, 40 a 54% de chance de corresponder a um câncer clinicamente significativo, tornando a biópsia essencial para confirmar ou afastar o diagnóstico e orientar o plano de tratamento.
Biópsia Transretal (TRUS): o método tradicional
Durante décadas, a biópsia transretal foi o método padrão em urologia. A agulha é inserida através da parede do reto, guiada pelo ultrassom transretal (TRUS). É um procedimento rápido e bem estabelecido, porém com uma limitação importante: a agulha atravessa a parede retal, naturalmente colonizada por bactérias. Mesmo com antibioticoprofilaxia, existe risco de infecção pós-procedimento — incluindo casos graves de sepse por bactérias multirresistentes, como E. coli resistente a fluoroquinolonas, que têm levado a hospitalizações com frequência crescente.
Biópsia Transperineal: por que está se tornando o padrão-ouro
A biópsia transperineal utiliza uma rota completamente diferente: a agulha entra pela pele do períneo (a região entre o escroto e o ânus), sem passar pelo reto. Isso elimina o contato com a flora bacteriana intestinal, reduzindo drasticamente o risco de infecção. Além disso, a via transperineal oferece melhor acesso à zona anterior da próstata — uma região frequentemente subestimada na biópsia transretal — o que melhora a detecção de cânceres clinicamente significativos.
Estudo PREVENT: os números que mudaram tudo
O ensaio randomizado PREVENT, publicado no New England Journal of Medicine, comparou diretamente as duas técnicas quanto ao risco de infecção. Os resultados foram contundentes: taxa de infecção de 0% com a via transperineal, contra 1,4% com a via transretal. Para um procedimento eletivo, essa diferença tem implicações práticas muito relevantes — especialmente para pacientes imunocomprometidos, diabéticos ou em uso de anticoagulantes.
O que dizem as diretrizes da EAU 2024?
Com base no estudo PREVENT e em evidências acumuladas, as diretrizes da European Association of Urology (EAU) de 2024 passaram a recomendar a biópsia transperineal como abordagem preferencial sempre que disponível. A justificativa principal é o perfil de segurança superior, sem comprometimento da acuácia diagnóstica. A American Urological Association (AUA) também reconhece a biópsia transperineal como alternativa de menor risco infeccioso, especialmente em contextos de maior resistência bacteriana.
Qual técnica é indicada para você?
A decisão entre transperineal e transretal depende de vários fatores: a experiência do urologista com cada técnica, os recursos disponíveis no serviço, o perfil de risco do paciente e, cada vez mais, as preferências do próprio paciente após discussão informada. Na Clínica Uro Onco, o Dr. Bruno Benigno realiza a biópsia de próstata com guia de ressonância magnética por fusão de imagens — modalidade que combina a precisão da ressonância com o ultrassom em tempo real, maximizando a detecção de lesões clinicamente significativas e minimizando biópsias desnecessárias.
Sobre o Dr. Bruno Benigno
O Dr. Bruno Benigno é urologista especializado em uro-oncologia, com mais de 1.500 procedimentos realizados em hospitais de referência em São Paulo: Hospital Sírio-Libanês, Hospital Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho. Membro da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), da American Urological Association (AUA) e da European Association of Urology (EAU), atua com foco em câncer de próstata, rim e bexiga, além de doenças prostáticas benignas e cirurgia robótica minimamente invasiva. CRM SP 126265 | RQE 60022.
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Se você tem PSA elevado, uma lesão suspeita na ressonância magnética ou indicação de biópsia de próstata, a avaliação com um especialista em uro-oncologia é fundamental antes de qualquer procedimento. Entre em contato com a Clínica Uro Onco para agendar sua consulta presencial ou por telemedicina.
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Referências Científicas
1. van den Bergh RCN et al. Transperineal versus Transrectal Biopsy for the Diagnosis of Prostate Cancer (PREVENT Trial). NEJM. 2024. DOI: 10.1056/NEJMoa2307185
2. EAU Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology, 2024. uroweb.org/guidelines/prostate-cancer
3. PI-RADS Steering Committee. PI-RADS Version 2.1: A Critical Review. Eur Urol. 2019.
Aviso: Este conteúdo tem fins exclusivamente educativos e informativos. Não substitui a consulta médica individualizada. Em caso de dúvidas, procure um urologista.


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