Plano de Saúde AGORA Cobre Cirurgia Robótica de Próstata: O Que Você Precisa Saber
- Dr. Bruno Benigno

- 4 de abr.
- 6 min de leitura
Uma decisão histórica acaba de mudar o cenário do tratamento do câncer de próstata no Brasil. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu a prostatectomia robótica no Rol de Procedimentos obrigatórios dos planos de saúde, com vigência a partir de 1º de abril de 2026. Isso significa que, pela primeira vez, os convênios são legalmente obrigados a cobrir a cirurgia robótica para câncer de próstata — sem que o paciente precise pagar a diferença.
O Dr. Bruno Benigno, urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho), explica neste artigo o que essa mudança significa na prática, quem tem direito e como funciona a tecnologia que agora está ao alcance de todos os beneficiários de planos de saúde.
O que é a prostatectomia robótica e por que ela importa?
A prostatectomia radical é a remoção cirúrgica da próstata para tratar o câncer localizado — ou seja, aquele que ainda não se espalhou para outros órgãos. Ao longo das últimas décadas, essa cirurgia evoluiu de forma significativa: da técnica aberta (com incisão grande no abdômen), passando pela laparoscopia convencional (com pequenos cortes e câmera), até chegar à cirurgia robótica assistida.
Na abordagem robótica, o cirurgião opera por meio de um console com visão 3D ampliada e instrumentos com movimentos muito mais precisos do que a mão humana permite. O robô não age de forma autônoma — ele é controlado integralmente pelo urologista, que traduz cada movimento do console em micromovimentos cirúrgicos de alta precisão.
Por que a robótica representa um avanço real?
A comparação entre as técnicas está bem documentada na literatura científica. Um estudo publicado na revista Clinics (São Paulo) em 2025 — com análise de ensaios clínicos randomizados — demonstrou que a cirurgia minimamente invasiva (laparoscópica e robótica) oferece vantagens perioperatórias significativas em relação à técnica aberta, incluindo menor perda de sangue, menores taxas de transfusão e menos complicações gerais [1]. Na prática, isso se traduz em menos dor no pós-operatório, internação mais curta e retorno mais rápido às atividades do dia a dia.
Outro aspecto fundamental é a preservação da qualidade de vida. Um estudo publicado no Journal of Robotic Surgery em 2024, analisando pacientes com diferentes perfis — incluindo obesos —, confirmou que a prostatectomia robótica está associada à menor perda de sangue e menor taxa de complicações quando comparada à cirurgia aberta, mesmo em grupos de maior risco cirúrgico [2]. Isso é especialmente relevante porque muitos pacientes com câncer de próstata têm mais de 60 anos e frequentemente apresentam outras condições de saúde.
O plano de saúde é obrigado a cobrir a cirurgia robótica de próstata?
Sim. A partir de 1º de abril de 2026, todos os planos de saúde registrados na ANS são obrigados a cobrir a prostatectomia radical assistida por robô para o tratamento do câncer de próstata — tanto localizado quanto localmente avançado.
Essa é a primeira cirurgia robótica incluída no Rol de Procedimentos obrigatórios da saúde suplementar brasileira. A decisão seguiu a recomendação técnica da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), que avaliou as evidências científicas disponíveis e concluiu que a tecnologia é segura, eficaz e custo-efetiva.
Antes dessa decisão, o paciente que desejava a abordagem robótica precisava arcar com o custo adicional do procedimento — uma diferença que frequentemente ultrapassava dezenas de milhares de reais. Agora, esse direito está garantido por lei.
Quem tem direito à prostatectomia robótica pelo convênio?
A indicação principal é o câncer de próstata localizado ou localmente avançado, com indicação cirúrgica confirmada pelo urologista. Isso inclui pacientes com:
Diagnóstico confirmado por biópsia de próstata
Estadiamento compatível com tratamento cirúrgico curativo
Condições clínicas que permitam o procedimento cirúrgico
Importante: a indicação cirúrgica é avaliada de forma individualizada. Nem todo câncer de próstata exige cirurgia imediata — algumas situações de baixo risco podem ser conduzidas com vigilância ativa ou outras modalidades de tratamento, como radioterapia ou hormonioterapia. A decisão ideal é tomada em conjunto entre o paciente e o urologista oncologista, considerando o estágio da doença, o Escore de Gleason, o nível de PSA e as preferências individuais.
Qual a diferença entre cirurgia aberta, laparoscópica e robótica de próstata?
As três técnicas têm o mesmo objetivo: remover a próstata e o tumor. O que muda é a forma de acesso e os instrumentos utilizados.
Cirurgia Aberta
Técnica mais antiga. Realizada com uma incisão grande no abdômen (10 a 15 cm). Permite excelente controle cirúrgico em mãos experientes, mas está associada a maior perda de sangue, maior tempo de internação e recuperação mais lenta.
Cirurgia Laparoscópica Convencional
Utiliza pequenos cortes (0,5 a 1 cm) e instrumentos longos com câmera. Reduz o sangramento e melhora a recuperação, mas os movimentos dos instrumentos são limitados — o que exige alta curva de aprendizado do cirurgião.
Cirurgia Robótica (da Vinci)
Combina as vantagens da laparoscopia com instrumentos articulados (que movem 360°), visão 3D de alta definição e filtragem de tremores das mãos. Permite maior precisão na preservação dos nervos responsáveis pela ereção e maior controle na reconstrução do colo vesical — o que impacta diretamente a continência urinária no pós-operatório.
A cirurgia robótica de próstata afeta a ereção e a continência urinária?
Esta é uma das principais preocupações dos pacientes — e com razão. O câncer de próstata, por sua localização, afeta estruturas importantes para a função sexual e urinária.
Continência urinária: A maioria dos pacientes recupera o controle urinário ao longo de semanas a meses após a cirurgia. A técnica robótica, por sua precisão, favorece a preservação do esfíncter urinário externo, reduzindo o risco de incontinência persistente.
Função erétil: A preservação depende de vários fatores: a localização e extensão do tumor, a necessidade ou não de sacrificar os feixes neurovasculares que controlam a ereção, a função sexual pré-operatória e a idade do paciente. A cirurgia robótica permite uma dissecção mais precisa e a identificação clara dessas estruturas — o que melhora as chances de preservação em casos selecionados.
O planejamento pré-operatório individualizado, incluindo ressonância magnética multiparamétrica e biópsia guiada por fusão, contribui significativamente para a tomada de decisão cirúrgica.
Qual o papel do PSA e do rastreamento no diagnóstico precoce?
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é o principal marcador laboratorial para o rastreamento do câncer de próstata. Ele é produzido pela próstata e pode elevar-se por diferentes razões: inflamação, crescimento benigno (HPB) ou câncer.
O rastreamento com PSA — em combinação com o toque retal e, quando indicado, a ressonância magnética multiparamétrica — permite identificar tumores em estágio precoce, quando a cirurgia oferece as melhores chances de cura.
Segundo as diretrizes da Associação Europeia de Urologia (EAU) e da AUA (Associação Americana de Urologia), o rastreamento com PSA é recomendado para homens a partir dos 50 anos, ou a partir dos 45 em homens com histórico familiar de câncer de próstata ou descendentes de africanos.
Diagnóstico precoce é sinônimo de mais opções de tratamento — inclusive a cirurgia robótica, agora coberta pelo convênio.
Quando procurar o urologista?
Você deve agendar uma consulta com um urologista se:
Tem 50 anos ou mais e nunca fez rastreamento de PSA
Tem histórico familiar de câncer de próstata (pai, irmão)
Apresenta sintomas urinários: dificuldade para urinar, jato fraco, urência ou acordar várias vezes à noite para urinar
Recebeu resultado de PSA elevado em exame de rotina
Já tem diagnóstico de câncer de próstata e deseja conhecer todas as opções de tratamento
A cobertura obrigatória da cirurgia robótica pelo plano de saúde não substitui a consulta e o acompanhamento especializado — ela é mais uma ferramenta disponível dentro de um plano de tratamento adequado para cada paciente.
Sobre o autor: Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho). CRM SP 126265 | RQE 60022. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga.
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Referências Bibliográficas
Matalani CFA, et al. Minimally invasive radical prostatectomy versus open radical prostatectomy: A systematic review and meta-analysis. Clinics (Sao Paulo). 2025;80:100636. Acesse o estudo
Wang CJ, et al. Comparative analysis of perioperative outcomes in obese patients undergoing robot-assisted radical prostatectomy (RARP) versus open radical prostatectomy (ORP): a systematic review and meta-analysis. Journal of Robotic Surgery. 2024;18(1):248. Acesse o estudo
Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Consulte um especialista para avaliação individual.


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