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Segunda Opinião no Câncer de Próstata: O PET-PSMA Que Revelou o Diagnóstico Errado

  • Foto do escritor: Dr. Bruno Benigno
    Dr. Bruno Benigno
  • 8 de abr.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 9 de abr.

Um homem de 50 anos. Saudável, ativo, pai de família. Diagnóstico de câncer de próstata confirmado por biópsia — laudo aparentemente tranquilo, Gleason 6, doença localizada. Plano de tratamento definido: cirurgia robótica em breve. Mas havia algo errado.

Antes de entrar na sala de operação, este paciente buscou uma avaliação com o Dr. Bruno Benigno (CRM SP 126265 | RQE 60022), urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas nos melhores hospitais de São Paulo — Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho. O que aconteceu nos dias seguintes mudou completamente o rumo do seu tratamento — e pode ser uma lição para qualquer pessoa que recebeu um diagnóstico de câncer de próstata.


Neste artigo, você vai entender o que é a revisão de lâminas de biópsia, a diferença real entre Gleason 6 e Gleason 7, por que o PET-PSMA é hoje o padrão ouro de estadiamento, e quando buscar uma segunda opinião em câncer de próstata.

O que é a revisão de lâminas de biópsia e por que ela pode mudar o diagnóstico?

Quando uma biópsia de próstata é realizada, os fragmentos de tecido são analisados por um patologista, que determina o escore de Gleason — o sistema de graduação que indica o quão agressivo é o câncer. Esse laudo orienta toda a estratégia terapêutica: desde a vigilância ativa até a cirurgia imediata.


O problema é que nem todos os patologistas têm a mesma especialização em uro-patologia — a subespecialidade dedicada exclusivamente ao estudo do tecido prostático.


O patologista especializado faz diferença

Baseado em artigos recuperados do PubMed, um estudo publicado na revista Virchows Archiv analisou 117 casos de câncer de próstata encaminhados para revisão por patologistas especializados em urologia. O resultado foi revelador: o Gleason modal inicial atribuído era 7 (4+3), e foi rebaixado para Gleason 6 (3+3) após a revisão pelo especialista [1]. Em termos práticos, isso significa que esses pacientes teriam sido submetidos a tratamentos mais agressivos — incluindo cirurgia ou radioterapia — por um diagnóstico que superestimava a gravidade da doença.


A revisão de lâminas — que nada mais é do que encaminhar as lâminas da biópsia original para um segundo olhar especializado — pode, portanto, mudar a conduta terapêutica de forma significativa. E, como demonstrou o caso deste paciente de 50 anos, o inverso também ocorre: o laudo inicial pode subestimar a gravidade, colocando o paciente em risco ao retardar um tratamento necessário.

Gleason 6 e Gleason 7 — por que um número a mais muda tudo?

O escore de Gleason classifica o câncer de próstata com base no padrão de crescimento celular. Na prática clínica atual, o que importa é a soma dos dois padrões predominantes encontrados na biópsia:

Gleason 6 (3+3): Considerado de baixo risco. Em casos selecionados, a vigilância ativa é uma alternativa segura à cirurgia imediata.

Gleason 7 (3+4): Risco intermediário favorável. Tratamento ativo geralmente recomendado pelas diretrizes da EAU e AUA.

Gleason 7 (4+3): Risco intermediário desfavorável. Comportamento mais agressivo, com maior probabilidade de extensão extraprostática.


A diferença entre um Gleason 6 e um Gleason 7 não é apenas numérica. Ela muda o prognóstico, define o timing do tratamento, determina a necessidade de exames adicionais de estadiamento e impacta diretamente as chances de sucesso cirúrgico com margens negativas.

Neste caso, o paciente classificado inicialmente como Gleason 6 tinha, na revisão especializada, um Gleason 7 com padrão 4 predominante — o subtipo mais agressivo. Isso exigiu reavaliação completa da estratégia terapêutica antes de qualquer intervenção.

O que é o PET-PSMA e por que é o padrão ouro no estadiamento do câncer de próstata?

Com um Gleason mais alto confirmado, a questão seguinte era crítica: a doença estava realmente confinada à próstata, ou já havia comprometimento de linfonodos ou ossos?

Para responder com precisão, o Dr. Bruno Benigno solicitou o PET-SCAN com PSMA (PET-PSMA) — o exame de imagem nuclear mais avançado disponível para estadiamento do câncer de próstata.


O que a ciência comprova sobre o PET-PSMA

Baseado em artigos recuperados do PubMed, o estudo proPSMA, publicado na revista The Lancet em 2020, foi um ensaio clínico randomizado prospectivo conduzido com 302 pacientes de alto risco em dez hospitais da Austrália. Os resultados foram definitivos: o PET-PSMA apresentou 92% de acurácia no estadiamento, contra apenas 65% da imagem convencional — tomografia computadorizada combinada com cintilografia óssea — uma diferença absoluta de 27% [2]. Para o paciente, isso significa que 1 em cada 3 casos estadiados de forma convencional recebe uma informação incompleta sobre a extensão real do seu câncer.


O mesmo estudo demonstrou que o PET-PSMA mudou a conduta clínica em 28% dos pacientes — quase 1 em cada 3. Isso inclui pacientes que seriam submetidos a cirurgias sem necessidade, ou que deixariam de receber tratamentos complementares essenciais para o controle da doença.

Neste caso específico, o PET-PSMA foi decisivo: confirmou que a doença estava localizada, sem sinais de metástase linfonodal ou óssea. Com essa informação, a decisão pela prostatectomia radical robótica foi tomada com segurança, embasamento científico e chance real de cura.

Quando buscar uma segunda opinião no câncer de próstata?

A história deste paciente não é isolada. Em uro-oncologia, a segunda opinião é uma ferramenta de segurança — não um sinal de desconfiança no médico que realizou o diagnóstico inicial.

O Dr. Bruno Benigno recomenda considerar uma reavaliação especializada sempre que:

• O diagnóstico trouxer dúvidas ou parecer inconsistente com os sintomas ou evolução do PSA

• O escore de Gleason for limítrofe — especialmente entre 6 e 7

• O PSA tiver trajetória de alta ao longo de anos sem investigação adicional

• A conduta proposta parecer muito conservadora ou muito agressiva para o contexto clínico

• Não houver solicitação de PET-PSMA em casos de risco intermediário ou alto


Buscar uma avaliação especializada em uro-oncologia não atrasa o tratamento. Ela garante que o tratamento certo seja iniciado no momento certo, para a doença real — não para a doença que foi estimada.

As três lições deste caso para todo homem acima de 45 anos

Primeira lição: O laudo da biópsia de próstata pode e deve ser revisado quando houver dúvida ou quando a conduta terapêutica estiver em jogo. A revisão de lâminas por um patologista especializado em uro-patologia é um direito do paciente.

Segunda lição: O escore de Gleason é determinante para a decisão terapêutica. Uma diferença de um padrão no Gleason pode significar a diferença entre vigilância ativa e cirurgia urgente — e essa diferença pode ser invisível a olhos não especializados.

Terceira lição: O PET-PSMA é hoje o padrão ouro para estadiamento do câncer de próstata de risco intermediário ou alto, conforme recomendado pelas diretrizes da EAU 2024. Realizar uma cirurgia sem esse exame, em casos de risco, é operar com informação incompleta.

Sobre o autor

Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Hospital Nove de Julho). CRM SP 126265 | RQE 60022. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga.

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Tem dúvidas sobre o seu caso ou de um familiar? Agende uma avaliação presencial ou por teleatendimento com o Dr. Bruno Benigno.

Referências Bibliográficas

1. Chen SD, Fava JL, Amin A, et al. Gleason grading challenges in the diagnosis of prostate adenocarcinoma: experience of a single institution. Virchows Archiv. 2015;468(2):213-8. Acesse o estudo original

2. Hofman MS, Lawrentschuk N, Francis RJ, et al. Prostate-specific membrane antigen PET-CT in patients with high-risk prostate cancer before curative-intent surgery or radiotherapy (proPSMA). Lancet. 2020;395(10231):1208-1216. Acesse o estudo original

Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Consulte um especialista para avaliação individual.


 
 
 

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