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Câncer de Próstata Após HoLEP: O Que Fazer Com Esse Diagnóstico?

  • Foto do escritor: Dr. Bruno Benigno
    Dr. Bruno Benigno
  • 6 de abr.
  • 5 min de leitura

Você fez o HoLEP — uma cirurgia eficaz para tratar a próstata aumentada — e dias depois chegou o laudo anatomopatológico com uma notícia inesperada: câncer de próstata. A pergunta imediata de quase todos os pacientes é a mesma: E agora? Preciso de tratamento? Isso é grave?



A resposta não é simples, mas é, na maioria das vezes, muito mais tranquilizadora do que a primeira reação sugere. Neste artigo, o Dr. Bruno Benigno — urologista oncologista, CRM SP 126265, com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas no Sírio-Libanês, Hospital Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho em São Paulo — explica o que é o câncer de próstata incidental, com que frequência ele ocorre após o HoLEP, como interpretar o resultado e quais são as opções de conduta disponíveis.


O Que é o HoLEP e Por Que o Câncer Pode Ser Encontrado?

O HoLEP (Holmium Laser Enucleation of the Prostate — enucleação da próstata com laser de holmium) é atualmente uma das técnicas mais avançadas e eficazes para o tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB). Durante o procedimento, o cirurgião remove o tecido prostático que obstrui a uretra usando laser de alta precisão, sem cortes na pele. Todo o material retirado — o chamado "chip" da próstata — é enviado obrigatoriamente para análise anatomopatológica. É exatamente nessa etapa que, em alguns casos, células cancerosas são identificadas. Esse é o chamado câncer de próstata incidental.


Com Que Frequência Isso Acontece? O Que Diz a Literatura

A ocorrência de câncer de próstata incidental após o HoLEP é mais comum do que muitos imaginam. Um estudo publicado na revista Urology em 2024, com 913 pacientes submetidos ao procedimento, identificou câncer de próstata incidental em 20% dos casos [1]. Na prática, isso significa que aproximadamente 1 em cada 5 homens operados de HPB com HoLEP pode ter câncer detectado — um achado que, sem a cirurgia, provavelmente passaria despercebido por anos.

Uma revisão narrativa publicada na revista Andrologia consolidou dados de múltiplos estudos e encontrou que a taxa de câncer incidental após HoLEP varia de 5,64% a 23,3% [2]. Esses dados reforçam a importância de uma avaliação pré-operatória criteriosa, incluindo PSA, densidade do PSA e, em casos selecionados, ressonância magnética da próstata antes do HoLEP.


Como Interpretar o Resultado: Gleason, Estágio e PSA


Grau Histológico (Score de Gleason / Grupo ISUP)

A maioria dos cânceres encontrados incidentalmente após HoLEP é de baixo grau. Nos estudos publicados, a distribuição típica é: Gleason 6 (ISUP Grupo 1) — baixo grau — em aproximadamente 60% dos casos; Gleason 7 (ISUP Grupos 2 e 3) — grau intermediário — em torno de 24% dos casos; Gleason ≥8 (ISUP Grupos 4 e 5) — alto grau — em apenas 10–11% dos casos. A grande maioria dos cânceres encontrados após HoLEP são tumores de baixo grau, com comportamento biológico indolente.


Comportamento do PSA Após HoLEP

O HoLEP remove a zona de transição da próstata — a região central que cresce na HPB. Após o procedimento, o PSA cai significativamente. No entanto, a zona periférica permanece intacta — e é exatamente nessa região que a maioria dos cânceres de próstata se origina. Por isso, mesmo após o HoLEP, o rastreamento do câncer de próstata com PSA deve continuar.


O Que Fazer Após o Diagnóstico: As Opções de Conduta

Vigilância Ativa

Para tumores de baixo grau (Gleason 6 / ISUP 1) e selecionados de grau intermediário, a vigilância ativa é uma opção segura e amplamente recomendada pelas diretrizes da AUA e EAU. Ela consiste em monitoramento regular com PSA, ressonância magnética e, se necessário, biópsia de confirmação — sem intervenção imediata. Um estudo publicado na Urologic Oncology concluiu que mais de 10% dos candidatos ao HoLEP terão câncer incidental e podem ser monitorados com PSA e/ou ressonância magnética [3]. Não é porque acharam câncer que você precisa operar de novo imediatamente. A vigilância ativa é ciência, não negligência.


Biópsia Complementar por Fusão (RM + Ultrassom)

Quando o laudo do HoLEP indica um tumor de grau mais elevado ou quando a ressonância magnética pós-operatória revela uma lesão suspeita na zona periférica, a biópsia guiada por fusão é o próximo passo para estadiamento mais preciso.


Tratamento Ativo: Radioterapia ou Cirurgia Robótica

Para tumores de grau intermediário-alto, com indicação de tratamento, as opções incluem radioterapia de precisão (IMRT/SBRT) e, em casos selecionados, cirurgia robótica. A cirurgia após o HoLEP é tecnicamente mais complexa, mas realizável em centros especializados.


A Mensagem Principal: Um Diagnóstico Inesperado Não é Uma Sentença

O câncer de próstata encontrado após o HoLEP é, na maioria das vezes, um tumor de baixo grau, localizado e com excelente prognóstico quando acompanhado adequadamente. O diagnóstico precoce — mesmo que não planejado — é uma vantagem, não uma tragédia. O que o paciente precisa é de uma consulta com um urologista oncologista que entenda a particularidade desse diagnóstico, saiba interpretar o laudo no contexto correto e apresente as opções com clareza, equilíbrio e evidência científica.

Sobre o autor: Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Hospital Nove de Julho). CRM SP 126265 | RQE 60022. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga.

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Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Consulte um especialista para avaliação individual.

Referências Bibliográficas

1. Sakai A, Borza T, Antar A, et al. Incidental Prostate Cancer Diagnosis Is Common After Holmium Laser Enucleation of the Prostate. Urology. 2024;183:170–175. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38043905/

2. Yilmaz M, Toprak T, Suarez-Ibarrola R, et al. Incidental prostate cancer after holmium laser enucleation of the prostate — A narrative review. Andrologia. 2022;54(3):e14332. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34837229/

3. Hutchison D, Peabody H, Kuperus JM, et al. Management of prostate cancer after holmium laser enucleation of the prostate. Urologic Oncology. 2021;39(5):297.e1–297.e8. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33221258/


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Dr. Bruno Benigno | Urologista | CRM SP 126265 | RQE 60022

Equipe da Clínica Uro Onco - São Paulo - SP

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