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HoLEP: A Cirurgia a Laser Que Virou Padrão-Ouro Para Próstata Aumentada

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    Dr. Bruno Benigno
  • há 6 dias
  • 6 min de leitura

A próstata aumentada é uma das condições urológicas mais comuns em homens acima dos 50 anos — e também uma das que mais geram dúvidas sobre o tratamento. Quando a cirurgia se torna necessária, muitos pacientes ainda imaginam o cenário antigo: corte abdominal, dias internado, sangramento e recuperação longa. Esse cenário mudou. Hoje, o HoLEP — Enucleação Prostática a Laser de Hólmio — é considerado o padrão-ouro mundial para o tratamento cirúrgico da hiperplasia prostática benigna (HPB), independente do tamanho da próstata.


Sou o Dr. Bruno Benigno, urologista oncologista (CRM-SP 126265 · RQE 60022) com mais de 1.500 cirurgias realizadas em hospitais de excelência de São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho). Neste artigo, explico como o HoLEP funciona, em quais situações ele é indicado, como é a recuperação e por que ele substituiu a RTU clássica e a cirurgia aberta na maioria dos casos.

O que é o HoLEP e como funciona?

O HoLEP (Holmium Laser Enucleation of the Prostate) é uma cirurgia endoscópica realizada pela uretra, sem cortes na pele. O urologista utiliza um feixe de laser de hólmio para descolar (enuclear) toda a parte interna da próstata — o adenoma — que cresceu e está obstruindo o canal urinário. Esse tecido é então levado até a bexiga, fragmentado por um instrumento chamado morcelador e aspirado.

Em outras palavras: a parte da próstata que estava apertando a uretra é removida por inteiro, mas a cápsula prostática externa permanece preservada — como tirar a polpa de uma laranja, mantendo a casca.


Por que isso importa para o paciente?

A enucleação completa do adenoma, possível com o laser de hólmio, é o que diferencia o HoLEP da RTU tradicional. Como o tecido obstrutivo é removido em sua totalidade, o resultado funcional tende a ser mais duradouro e a chance de precisar de uma nova cirurgia no futuro é significativamente menor.


HoLEP é melhor do que a RTU de próstata?

A RTU (ressecção transuretral da próstata) foi por décadas o padrão-ouro cirúrgico para HPB. Hoje, vários estudos de alto impacto demonstram que o HoLEP entrega resultados equivalentes ou superiores, com perfil de segurança melhor.


Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2023 no Journal of International Medical Research analisou ensaios clínicos randomizados comparando os dois métodos. O HoLEP apresentou menor sangramento, menor tempo de sondagem vesical, menor tempo de internação e menor taxa de hiponatremia em comparação à RTU [1]. Na prática, isso significa: menos transfusão de sangue, alta hospitalar mais rápida e menor risco de complicações nos primeiros dias.


Em 2022, um ensaio clínico randomizado publicado no International Journal of Urology comparou HoLEP e RTU bipolar especificamente em próstatas grandes (volume ≥ 80 mL). O HoLEP mostrou-se superior em tempo cirúrgico, perda de hemoglobina, tempo de cateterismo e tempo de internação, com resultados funcionais (IPSS, fluxo urinário máximo, PSA) significativamente melhores em 3 anos de seguimento [2]. Tradução clínica: para próstatas maiores — onde a RTU tem limitações técnicas — o HoLEP é a alternativa mais segura e mais eficaz.


Por essa razão, as diretrizes da AUA (Associação Americana de Urologia) e da EAU (Associação Europeia de Urologia) recomendam o HoLEP como opção de tratamento independente do tamanho da próstata — algo que a RTU não consegue oferecer.


HoLEP serve para qualquer tamanho de próstata?

Sim — e essa é uma das maiores vantagens da técnica. Próstatas muito grandes (acima de 80–100 mL) historicamente exigiam cirurgia aberta (prostatectomia simples), com incisão abdominal, internação prolongada e recuperação demorada. O HoLEP eliminou essa necessidade na maioria dos casos.


Um estudo francês publicado no World Journal of Urology avaliou pacientes operados por HoLEP em próstatas acima de 150 mL — anatomicamente desafiadoras. A taxa de sucesso foi de 95%, com tempo médio de internação de apenas 1,3 dia, sondagem média de 1,9 dia, taxa de complicações em 30 dias de 9,9%, e queda do PSA de 14,8 ng/mL para 0,8 ng/mL em 6 meses [3]. Os autores foram diretos no título: "open simple prostatectomy is dead" — a prostatectomia aberta morreu para HPB.


E quando comparado à prostatectomia simples robótica, alternativa moderna para próstatas muito grandes? Uma meta-análise de 2024 publicada no Journal of Urology mostrou que o HoLEP reduz o tempo cirúrgico em 49 minutos, a internação em 1,5 dia e o tempo de sonda em 3,8 dias, com 75% menos transfusões de sangue [4]. Em termos práticos: o HoLEP entrega o mesmo resultado funcional da robótica, com recuperação mais rápida e menor risco de sangramento — um perfil de eficiência operacional muito favorável ao paciente.


Como é a recuperação após o HoLEP?

A recuperação é uma das principais razões pelas quais o HoLEP se tornou a primeira escolha. Em centros experientes:

  • Internação: geralmente 24 a 36 horas

  • Sonda vesical: retirada em 24 a 48 horas; cerca de 90% dos pacientes recebem alta sem sonda

  • Atividades leves: retomadas em 7 a 10 dias

  • Atividade física intensa: liberada após 3 semanas

  • Atividade sexual: geralmente após 3 a 4 semanas (com avaliação individual)

  • Melhora dos sintomas urinários: percebida já nas primeiras semanas, com estabilização em 4 a 6 semanas

É importante reforçar que resultados dependem da técnica do cirurgião e da experiência do centro. O HoLEP exige curva de aprendizado significativa — cirurgiões experientes apresentam tempos cirúrgicos menores e taxas de complicação mais baixas.


E a função sexual? O HoLEP afeta a ereção?

Esta é uma das dúvidas mais comuns na consulta — e legítima. O HoLEP, como qualquer cirurgia da próstata, pode causar ejaculação retrógrada (o sêmen vai para a bexiga em vez de sair pela uretra), o que é um efeito esperado em todas as cirurgias desobstrutivas da próstata, incluindo a RTU.


Em relação à função erétil, os dados são tranquilizadores. Em uma série prospectiva publicada em 2022 no periódico In Vivo, a maioria dos pacientes operados por HoLEP manteve sua função erétil estável após 6 meses. Quando houve piora, ela ocorreu predominantemente em pacientes com próstatas muito grandes (> 100 mL) — o que reforça a importância da avaliação individualizada.


Quando o HoLEP é indicado?

O HoLEP é indicado nos seguintes cenários:

  • Sintomas urinários moderados a graves por HPB que não respondem ao tratamento medicamentoso

  • Próstatas de qualquer volume — especialmente as grandes (> 80 mL), onde supera RTU e cirurgia aberta

  • Pacientes em uso de anticoagulantes ou com risco aumentado de sangramento (HoLEP tem perfil hemostático superior à RTU)

  • Falha de tratamento clínico com bloqueadores alfa-adrenérgicos e/ou inibidores da 5-alfa-redutase

  • Complicações da HPB: retenção urinária crônica, infecções urinárias de repetição, cálculos vesicais, insuficiência renal por obstrução


A decisão sempre deve ser tomada após avaliação clínica completa, incluindo IPSS (International Prostate Symptom Score), fluxometria, ultrassonografia, dosagem de PSA e, em casos selecionados, urodinâmica e ressonância de próstata.


Sobre o autor

Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho). CRM SP 126265 | RQE 60022. Especialista em câncer de próstata, rim, bexiga e em cirurgias minimamente invasivas — incluindo HoLEP, cirurgia robótica e PET-PSMA.


Conclusão e próximos passos

O HoLEP representa uma mudança real no tratamento cirúrgico da próstata aumentada: alta hospitalar mais rápida, menos sangramento, recuperação mais ágil, resultado mais duradouro e independente do tamanho da próstata. Para muitos pacientes que ouviram a recomendação de "cirurgia aberta" no passado, o HoLEP oferece a mesma eficácia com perfil de segurança muito superior.


Se você foi diagnosticado com hiperplasia prostática benigna ou está com sintomas urinários persistentes, vale conversar com um urologista experiente em HoLEP para entender se o procedimento é a melhor opção no seu caso.

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Referências Bibliográficas

  1. Chen F, Chen Y, Zou Y, et al. Comparison of holmium laser enucleation and transurethral resection of prostate in benign prostatic hyperplasia: a systematic review and meta-analysis. Journal of International Medical Research. 2023;51(8):3000605231190763. Acesse o estudo original

  2. Habib E, Abdallah MF, ElSheemy MS, et al. Holmium laser enucleation versus bipolar resection in the management of large-volume benign prostatic hyperplasia: A randomized controlled trial. International Journal of Urology. 2022;29(2):128-135. Acesse o estudo original

  3. Tricard T, Xia S, Xiao D, et al. Outcomes of holmium laser enucleation of the prostate (HoLEP) for very large-sized benign prostatic hyperplasia (over 150 mL): open simple prostatectomy is dead. World Journal of Urology. 2023;41(8):2249-2253. Acesse o estudo original

  4. Benzouak T, Addar A, Prudencio-Brunello MA, et al. Comparative Analysis of Holmium Laser Enucleation of the Prostate and Robotic-Assisted Simple Prostatectomy in Benign Prostatic Hyperplasia Management: A Systematic Review and Meta-Analysis. The Journal of Urology. 2024;213(2):150-161. Acesse o estudo original

Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais (PubMed). Não substitui consulta médica individualizada. Consulte um urologista especialista para avaliação do seu caso.

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