Ondas de Choque para Disfunção Erétil em São Paulo
Terapia por ondas de choque de baixa intensidade (Li-ESWT) para homens com disfunção erétil leve a moderada, com indicação do urologista e aplicação por fisioterapeuta pélvica especializada. Informação honesta, baseada em evidência.
Dr. Bruno Benigno
Urologista e Uro-oncologista
- CRM SP 126265
- RQE 60022
- Equipe com fisioterapia pélvica
Resposta rápida
O que é a terapia por ondas de choque para disfunção erétil?
A terapia por ondas de choque de baixa intensidade (Li-ESWT) é um tratamento para disfunção erétil que aplica ondas mecânicas — e não elétricas — em pontos específicos do pênis e do períneo, para estimular a formação de novos vasos sanguíneos e melhorar a circulação do tecido erétil.
É indicada principalmente para disfunção erétil leve a moderada, em homens que ainda têm alguma ereção. Na Clínica Uro Onco, em São Paulo, o protocolo usual tem 6 sessões semanais de cerca de 30 minutos. Os estudos mostram benefício modesto, e o tratamento é considerado complementar, sempre após avaliação com o urologista.
Revisão médica: Dr. Bruno Benigno, urologista (CRM-SP 126265 · RQE 60022). Atualizado em 20/10/2026.
Vídeo
Ondas de choque na prática: explicação e demonstração
Dr. Bruno Benigno e a fisioterapeuta pélvica Dra. Dalila Duarte explicam indicação, contraindicações, protocolo e mostram a aplicação em modelo anatômico.
Tudo sobre o tratamento
Como as ondas de choque agem na ereção
Não é choque elétrico
São ondas mecânicas de baixa intensidade que provocam um estresse biológico controlado no tecido do pênis — o mesmo princípio usado na medicina esportiva para acelerar a recuperação de lesões de ombro e calcanhar.
Mais circulação, mais rigidez
O microtrauma estimula a neovascularização (formação de novos vasos) nos corpos cavernosos. O objetivo é melhorar o início da ereção, a rigidez e o tempo de manutenção.
Para quem é indicado?
Disfunção erétil leve a moderada, principalmente vascular, em quem ainda tem alguma ereção; quem tem efeitos colaterais com sildenafila ou tadalafila; e quem deixou de responder aos comprimidos.
Quem não deve fazer
Uso de anticoagulante, marca-passo e placas metálicas próximas à pelve. Homens sem nenhuma ereção, fumantes e com aterosclerose avançada tendem a responder pouco.
6 sessões, uma por semana
Sessões de cerca de 30 minutos, com intervalo semanal para o tecido se recuperar. Cerca de 1.000 impactos por ponto, em 4 a 6 pontos, com parâmetros ajustados à anatomia de cada paciente.
Áreas que são poupadas
Glande, bolsa escrotal, face inferior do pênis (uretra) e face superior (nervos e veia dorsal) não recebem impacto. Os efeitos colaterais costumam ser leves e passageiros.
Evidência científica
O que dizem os estudos e as diretrizes
Explicamos o tratamento com a mesma honestidade com que o indicamos: o benefício existe, mas é modesto e depende da seleção do paciente.
Benefício pequeno a moderado
Revisão de 21 ensaios randomizados (1.357 homens): ganho médio de cerca de 4 pontos no IIEF-EF em até 3 meses frente ao sham, com certeza de evidência baixa e eventos adversos semelhantes ao placebo [1].
Nem sempre clinicamente relevante
Metanálise confirmou melhora estatística em 1, 3 e 6 meses, mas a maioria dos estudos não atingiu a diferença mínima clinicamente importante [2].
Focal x radial
Aparelhos focais ou lineares mostraram resultados mais consistentes que os radiais em metanálise de 2025 [3]. Protocolos com cerca de 1.500 pulsos por sessão tiveram melhor desempenho em análise de rede [6].
Evidência ainda limitada
Em estudo prospectivo, o aparelho radial iniciado logo após a prostatectomia com preservação de nervos não acelerou a recuperação precoce da ereção [4].
EAU e AUA
A EAU admite o uso em disfunção erétil vasculogênica leve (recomendação fraca). A AUA ainda considera o tratamento em investigação. Revisão brasileira chega à mesma conclusão: promissor, mas pede estudos maiores [5].
Passo a passo
Como é a sessão de ondas de choque
Avaliação com o urologista
Investigação da causa: libido, testosterona, sono, doenças vasculares e tratamentos anteriores. Só depois vem a indicação.
Preparo da circulação
Alguns minutos de bomba de vácuo ou vibração peniana para estimular a vasodilatação antes da aplicação.
Aplicação no períneo
Paciente deitado, com gel. Dois pontos abaixo da bolsa escrotal, onde fica a raiz do pênis (cerca de 1.000 impactos cada, 2 a 3 minutos).
Aplicação nas laterais do pênis
Um ou dois pontos de cada lado, conforme o comprimento, sempre poupando glande, uretra e face dorsal.
Finalização
Bomba de vácuo ou vibração e higienização. Duração total de cerca de 30 minutos, em área reservada.
Cuidados em casa
Evitar sol na região, roupas apertadas, relação sexual e masturbação no dia. A medicação prescrita pode ser tomada normalmente.
Comparação
Ondas de choque x outros tratamentos da disfunção erétil
| Tratamento | Como age | Para quem | Pontos de atenção |
|---|---|---|---|
| Comprimidos (sildenafila, tadalafila) | Vasodilatação sob demanda | Primeira linha para a maioria dos homens | Dor de cabeça, congestão nasal; contraindicados com nitratos |
| Ondas de choque (Li-ESWT) | Estímulo à formação de novos vasos | Disfunção leve a moderada, com alguma ereção | Benefício modesto; 6 sessões; não exige medicação contínua |
| Bomba de vácuo | Sucção mecânica que atrai sangue ao pênis | Reabilitação e uso em casa | Exige orientação para evitar lesões de pele |
| Injeções no pênis (trimix, bimix) | Vasodilatação direta no corpo cavernoso | Quem não responde aos comprimidos | Aplicação antes de cada relação; risco de ereção prolongada |
| Prótese peniana | Cilindros implantados nos corpos cavernosos | Disfunção grave, refratária | Cirurgia definitiva, com alta satisfação |
Leia também: como é a sessão de ondas de choque na prática · a ereção volta após a retirada da próstata? · fisioterapia pélvica masculina · medicação ou prótese peniana?
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes sobre ondas de choque para disfunção erétil
Referências
Estudos citados nesta página
- Ergun O, Kim K, et al. Low-intensity shockwave therapy for erectile dysfunction. Cochrane Database Syst Rev. 2025;7(7):CD013166. doi:10.1002/14651858.CD013166.pub3 · PubMed 40654049
- You CH, et al. A close look at the evidence on low-intensity shockwave therapy in erectile dysfunction: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. J Sex Med. 2026;23(4). doi:10.1093/jsxmed/qdag070 · PubMed 41894473
- Ramadhani T, Warli SM, et al. Comparative effectiveness radial shockwave therapy versus focused linear shockwave therapy as an erectile dysfunction treatment: systematic review and meta-analysis. Urol Ann. 2025;17(2):84-91. doi:10.4103/ua.ua_13_25 · PubMed 40352088
- Bryk DJ, Murthy PB, et al. Radial wave therapy does not improve early recovery of erectile function after nerve-sparing radical prostatectomy: a prospective trial. Transl Androl Urol. 2023;12(2):209-216. doi:10.21037/tau-22-310 · PubMed 36915873
- Vieiralves RR, Schuh MF, et al. Low-intensity extracorporeal shockwave therapy in the treatment of erectile dysfunction: a narrative review. Int Braz J Urol. 2023;49(4):428-440. doi:10.1590/S1677-5538.IBJU.2023.9904 · PubMed 36794846
- Hinojosa-Gonzalez DE, et al. Indirect assessment of low-intensity shockwave therapy's energy density and pulse frequency for erectile dysfunction: systematic review, bayesian network meta-analysis and meta-regression. Int J Impot Res. 2025;37(4):278-287. doi:10.1038/s41443-024-00910-w · PubMed 38778153
Conteúdo educativo baseado nas diretrizes da AUA e da EAU e em revisões sistemáticas publicadas no PubMed. Não substitui a consulta médica individual. Resultados variam de pessoa para pessoa.
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