Resposta rápida: O câncer de próstata é o câncer mais comum entre os homens no Brasil (sem contar o de pele não melanoma): o INCA estima 77.920 casos novos por ano entre 2026 e 2028. Na fase inicial ele quase nunca dá sintomas, por isso a investigação começa antes deles: a partir dos 50 anos para todos os homens e a partir dos 45 para homens negros ou com pai ou irmão com a doença, combinando o exame de PSA e o toque retal. Descoberto cedo, tem grandes chances de cura, e nem todo caso precisa de cirurgia. Esses foram os pontos centrais da entrevista do urologista Dr. Bruno Benigno ao programa Mulheres, da TV Gazeta, em 3 de novembro de 2026.
Muitos homens só procuram o urologista quando algo incomoda: o jato fraco, as idas ao banheiro durante a noite, um susto com sangue na urina. O problema é que o câncer de próstata costuma crescer em silêncio. Quando os sintomas aparecem, a doença muitas vezes já saiu da próstata.
Para abrir o Novembro Azul de 2026, o Dr. Bruno Benigno, urologista e uro-oncologista em São Paulo (CRM-SP 126265, RQE 60022), participou ao vivo do programa Mulheres, da TV Gazeta, apresentado por Gloria Vanique. Com um modelo 3D da pelve, ele mostrou onde fica a próstata, explicou o que o PSA mede, quem deve começar a investigar mais cedo e quais são os tratamentos atuais, e respondeu às perguntas enviadas pelo público. Este artigo resume a conversa e indica o minuto de cada trecho no vídeo original.
Atualizado em 3 de novembro de 2026 · Revisão médica: Dr. Bruno Benigno, urologista (CRM-SP 126265)
Pontos-chave deste artigo
- A maioria dos casos iniciais de câncer de próstata não dá nenhum sintoma.
- Jato fraco e urinar à noite costumam ser sinais de aumento benigno da próstata, e não de câncer.
- PSA alterado não significa câncer: significa que a próstata está sendo agredida e precisa ser investigada.
- PSA e toque retal se completam: um pode detectar o que o outro deixa passar.
- Ter pai ou irmão com câncer de próstata multiplica o risco por cerca de 2,5 vezes.
- Tumores de baixíssima agressividade podem ser apenas acompanhados (vigilância ativa), sem cirurgia.
O que foi discutido no programa Mulheres? Os minutos de cada assunto
A entrevista tem cerca de 40 minutos e está disponível no canal oficial do programa no YouTube. Clique no tema para assistir direto no trecho:
- 1:00 · Os números do câncer de próstata no Brasil
- 2:00 · Onde fica a próstata: anatomia em 3D, esfíncter e nervos da ereção
- 4:00 · Para que serve o PSA
- 6:30 · Sintomas: próstata aumentada x câncer
- 11:30 · Por que o homem urina muitas vezes à noite
- 15:00 · Todo câncer de próstata dá sintoma? Quando começar a investigar
- 16:00 · Toque retal e PSA: por que um não substitui o outro
- 18:00 · Fatores de risco: família, ancestralidade africana, BRCA2 e obesidade
- 21:30 · Como é feito o diagnóstico, da consulta à biópsia
- 23:00 · O tratamento é sempre cirúrgico? Vigilância ativa, cirurgia, radioterapia e radiofármacos
- 27:00 · Ereção depois da cirurgia e cirurgia robótica
- 31:00 · Perguntas do público ao vivo
O câncer de próstata dá sintomas?
Na fase inicial, quase nunca. Como explicou o Dr. Bruno no programa, a grande maioria dos homens com câncer de próstata localizado não sente nada, e é justamente nessa fase que a doença tem mais chance de cura.
Os sintomas urinários mais conhecidos (jato fraco, sensação de não esvaziar a bexiga, urgência e acordar várias vezes à noite) geralmente vêm do aumento benigno da próstata (hiperplasia prostática benigna), um crescimento natural com a idade, estimulado pela testosterona. A próstata funciona como um mosaico: o mesmo homem pode ter aumento benigno, inflamação (prostatite) e câncer ao mesmo tempo. Cabe ao urologista separar uma coisa da outra.
Dois sinais pedem avaliação rápida: sangue na urina ou no sêmen, que pode ter causas benignas como infecção ou pedra no rim mas sempre precisa ser investigado, e dor persistente nos ossos, na coluna ou no quadril, que pode indicar doença avançada com metástase.
Na prática: não espere sentir algo para fazer o primeiro check-up da próstata. A ausência de sintomas não exclui o câncer.
Com que idade o homem deve começar a investigar a próstata?
A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que todo homem converse com o urologista sobre o rastreamento a partir dos 50 anos. Quem tem risco aumentado deve começar antes. As diretrizes da Associação Europeia de Urologia (EAU) seguem a mesma lógica:
| Perfil | Quando começar a conversa sobre PSA e toque |
| Homens em geral | A partir dos 50 anos |
| Homens negros (ancestralidade africana) | A partir dos 45 anos |
| Pai ou irmão com câncer de próstata | A partir dos 45 anos |
| Portadores de mutação no gene BRCA2 | A partir dos 40 anos |
No programa, o Dr. Bruno resumiu assim: a partir dos 40 anos vale conhecer o seu urologista e entender o próprio risco; o rastreamento propriamente dito começa entre os 45 e os 50 anos, conforme o perfil. Veja também o nosso guia sobre quando o PSA alto exige biópsia.
PSA e toque retal: por que um não substitui o outro?
O PSA (antígeno prostático específico) é uma proteína produzida pela próstata que ajuda os espermatozoides a se movimentarem. Ele fica muito concentrado dentro da próstata e baixo no sangue. Quando algo agride a glândula (inflamação, infecção, aumento benigno ou câncer), o PSA "vaza" para o sangue e o exame se altera. PSA alto, portanto, não é diagnóstico de câncer: é um sinal de que a próstata precisa ser investigada.
O toque retal permite sentir a parte de trás da próstata, onde surge boa parte dos tumores. Nódulos na parte da frente ou muito pequenos podem passar despercebidos ao toque, mas alterar o PSA. O contrário também acontece: há tumores palpáveis com PSA normal. Por isso os dois exames se completam.
O benefício de rastrear foi confirmado pelo maior estudo do tema. Após 23 anos de acompanhamento de mais de 160 mil homens de 55 a 69 anos, o grupo convidado a fazer PSA teve 13% menos mortes por câncer de próstata, segundo o estudo europeu ERSPC publicado no The New England Journal of Medicine [1]. Na prática: fazer o rastreamento de forma regular, com orientação médica, salva vidas, e o benefício aumenta com o tempo.
Quando o PSA ou o toque levantam suspeita, o próximo passo costuma ser a ressonância magnética da próstata e, se necessário, a biópsia de próstata, que é o único exame que confirma o diagnóstico.
Quem tem mais risco de ter câncer de próstata?
- Idade: o risco cresce a cada década de vida.
- Histórico familiar: ter pai ou irmão com a doença.
- Ancestralidade africana: homens negros têm mais risco e tendem a ter a doença mais cedo.
- Mutações genéticas herdadas, como BRCA2: a mesma mutação associada a câncer de mama e de ovário nas mulheres da família.
- Obesidade: um fator associado (não causal) a formas mais agressivas e a outros tipos de câncer.
Uma meta-análise com 33 estudos, publicada na revista PLoS One, mostrou que ter um parente de primeiro grau (pai ou irmão) com câncer de próstata multiplica o risco por 2,48; com dois ou mais parentes afetados, o risco sobe para cerca de 4,4 vezes [3]. Na prática: se o seu pai ou o seu irmão teve câncer de próstata, avise o seu médico e comece a investigação mais cedo.
O Dr. Bruno lembrou que a maior parte dos cânceres de próstata não é herdada: só cerca de 10% a 15% dos casos têm origem genética. Quando a história familiar é marcante (vários casos de câncer de próstata, mama ou ovário na família), o aconselhamento genético e um teste de sangue ou saliva podem ser indicados.
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Agendar pelo WhatsApp Guia do câncer de próstataTodo câncer de próstata precisa de cirurgia?
Não. A decisão leva em conta três pilares: a saúde geral e o momento de vida do paciente, a agressividade do tumor na biópsia e a extensão da doença nos exames de imagem.
Tumores de baixíssima agressividade podem ser apenas acompanhados, em um protocolo chamado vigilância ativa: exames periódicos e tratamento só se houver sinal de progressão. O estudo ProtecT, publicado no The New England Journal of Medicine, acompanhou 1.643 homens com câncer de próstata localizado por 15 anos e mostrou mortalidade pela doença baixa (cerca de 3%) e semelhante entre monitoramento, cirurgia e radioterapia; no grupo apenas monitorado, porém, as metástases foram cerca de duas vezes mais frequentes (9,4% contra 4,7% a 5,0%) [2]. Na prática: acompanhar é seguro para tumores bem selecionados, mas os casos de risco intermediário e alto precisam de tratamento.
| Situação | Opções mais usadas |
| Tumor de baixíssimo risco | Vigilância ativa, com exames periódicos |
| Tumor localizado e significativo | Prostatectomia radical robótica ou radioterapia |
| Doença agressiva | Cirurgia e radioterapia combinadas, às vezes com hormonioterapia |
| Doença com metástase | Hormonioterapia, quimioterapia, novos medicamentos e radiofármacos |
A quimioterapia não é usada em quem tem a doença restrita à próstata. Os radiofármacos, que funcionam como uma "radioterapia líquida" que se liga às células do câncer, são hoje reservados à doença metastática. No programa, o Dr. Bruno também comentou a chegada ao SUS de medicamentos para câncer de próstata e de rim avançados, que já eram usados no setor privado. Saiba mais em câncer de próstata: diagnóstico e tratamento.
A cirurgia robótica preserva a ereção e a continência?
Ela aumenta as chances, mas o resultado depende do tumor. O esfíncter urinário fica abaixo da próstata e os nervos da ereção passam por fora dela. Quando o câncer não invade essas estruturas, o cirurgião consegue preservá-las. Se o tumor atinge os nervos, a prioridade é retirar a doença por completo.
Na cirurgia robótica, o cirurgião opera por pequenas incisões ao redor do umbigo, com visão em três dimensões ampliada e pinças que reproduzem o movimento da mão em miniatura. Isso permite uma dissecção mais delicada e com menos sangramento. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na revista European Urology mostrou que a prostatectomia robótica teve menor perda de sangue e menor taxa de transfusão do que a cirurgia aberta [4]. Na prática: menos sangramento e uma recuperação mais rápida, desde que a cirurgia seja feita por uma equipe experiente.
O Dr. Bruno também explicou que a Conitec aprovou o uso de recursos públicos para a cirurgia robótica, e que o SUS ainda está organizando os centros que vão oferecer o procedimento. Conheça mais sobre a cirurgia robótica de próstata em São Paulo.
O que o público perguntou ao vivo?
"Por que o PSA continua alto se a biópsia deu negativa?" Porque a biópsia pode trazer pelo menos sete resultados diferentes. Sem câncer, ela pode mostrar inflamação (prostatite aguda ou crônica), atrofia ou crescimento benigno, condições que também elevam o PSA. O acompanhamento continua. Leia mais em biópsia negativa com PSA elevado.
"Próstata aumentada vira câncer?" Não: são processos diferentes, que podem acontecer em paralelo com o envelhecimento. Por isso quem tem próstata aumentada também precisa de acompanhamento regular.
"Perder um testículo diminui o risco de câncer de próstata?" Não. Um único testículo produz testosterona suficiente, e a próstata continua recebendo o mesmo estímulo.
"Urinar sentado ou em pé?" Do ponto de vista da bexiga, tanto faz, desde que o homem esteja relaxado. Mas, se alguém que sempre urinou em pé passa a urinar melhor sentado ou inclinado para trás, isso pode indicar obstrução pela próstata e merece avaliação.
"Existe alimento que previne?" O que faz bem para o coração faz bem para a próstata: atividade física, controle do peso, menos açúcar, sem cigarro e pouco álcool. Castanhas, vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, couve) e tomate entram em uma alimentação saudável; suplementos de selênio não mostraram proteção contra o câncer de próstata.
Quiz: teste o que você aprendeu no Novembro Azul
Leia cada afirmação, pense se é verdade ou mito e toque nela para ver a resposta.
1. Todo câncer de próstata dá sintomas. Verdade ou mito?
MITO. Na fase inicial, a maioria dos casos não causa nenhum sintoma. Por isso o rastreamento começa antes deles.
2. Jato urinário fraco é quase sempre sinal de câncer de próstata. Verdade ou mito?
MITO. Geralmente é causado pelo aumento benigno da próstata, que estreita o canal da urina. Mas só a avaliação do urologista separa uma coisa da outra.
3. PSA alto significa que o homem tem câncer. Verdade ou mito?
MITO. O PSA sobe sempre que a próstata é agredida: inflamação, infecção, aumento benigno ou câncer. Ele indica que é preciso investigar.
4. Quem tem pai ou irmão com câncer de próstata deve começar a investigar mais cedo. Verdade ou mito?
VERDADE. O risco é cerca de 2,5 vezes maior, e a recomendação é iniciar a conversa sobre PSA e toque aos 45 anos.
5. Todo câncer de próstata precisa ser operado. Verdade ou mito?
MITO. Tumores de baixíssima agressividade podem ser acompanhados por vigilância ativa. A decisão é individual e compartilhada com o paciente.
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Quando procurar um urologista?
- Você tem 50 anos ou mais e nunca conversou com um urologista sobre a próstata.
- Você tem 45 anos ou mais e é negro ou tem pai ou irmão com câncer de próstata.
- Há casos de câncer de mama, ovário ou próstata em várias pessoas da sua família.
- Seu PSA veio alterado ou subiu em relação ao exame anterior.
- Você notou sangue na urina ou no sêmen.
- O jato urinário enfraqueceu ou você acorda várias vezes à noite para urinar.
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Perguntas frequentes
Qual é o primeiro sinal de câncer de próstata?
Na maioria das vezes não existe um primeiro sinal: o câncer de próstata inicial costuma não causar sintomas. Quando aparecem, os sintomas mais comuns são urinários, mas eles geralmente se devem ao aumento benigno da próstata. Sangue na urina ou no sêmen e dor nos ossos exigem avaliação rápida. Por isso o diagnóstico precoce depende do rastreamento com PSA e toque retal.
Com que idade devo fazer o exame de próstata?
A recomendação geral é começar a conversar com o urologista sobre PSA e toque retal aos 50 anos. Homens negros e homens com pai ou irmão com câncer de próstata devem começar aos 45 anos, e portadores de mutação no gene BRCA2, aos 40 anos.
O exame de PSA substitui o toque retal?
Não. O PSA e o toque retal se completam. Alguns tumores alteram o PSA sem serem palpáveis, e outros são palpáveis com PSA normal. Usados juntos, os dois exames aumentam a chance de identificar quem precisa de ressonância ou biópsia.
PSA alto é sempre câncer?
Não. O PSA sobe sempre que a próstata é agredida, como em inflamações, infecções, aumento benigno ou câncer. O resultado alterado indica que é preciso investigar, com reavaliação do exame, ressonância magnética e, se necessário, biópsia.
Câncer de próstata tem cura?
Sim, quando é descoberto ainda restrito à próstata. Nessa fase, a cirurgia ou a radioterapia oferecem grandes chances de cura, e alguns tumores de baixíssimo risco podem ser apenas acompanhados. Quando há metástase, o objetivo passa a ser controlar a doença por muitos anos com qualidade de vida.
Onde assistir à entrevista do Dr. Bruno Benigno no programa Mulheres?
A entrevista completa, exibida em 3 de novembro de 2026 na TV Gazeta, está no canal oficial do programa Mulheres no YouTube, no endereço youtube.com/watch?v=lMkdEf9zyHM. Outras participações do Dr. Bruno na imprensa estão reunidas na página Na Mídia do site da Clínica Uro Onco.
Sobre o autor
Dr. Bruno Benigno é urologista e uro-oncologista, fundador da Clínica Uro Onco, com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês, Nove de Julho, Beneficência Portuguesa e Hospital Santa Catarina). Atua em câncer de próstata, rim e bexiga e em cirurgias minimamente invasivas. CRM-SP 126265 | RQE 60022.
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Referências bibliográficas
- Roobol MJ, et al. European Study of Prostate Cancer Screening - 23-Year Follow-up. N Engl J Med. 2025;393(17):1669-1680. doi:10.1056/NEJMoa2503223. Acesse o estudo original
- Hamdy FC, et al. Fifteen-Year Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer. N Engl J Med. 2023;388(17):1547-1558. doi:10.1056/NEJMoa2214122. Acesse o estudo original
- Kiciński M, Vangronsveld J, Nawrot TS. An epidemiological reappraisal of the familial aggregation of prostate cancer: a meta-analysis. PLoS One. 2011;6(10):e27130. doi:10.1371/journal.pone.0027130. Acesse o estudo original
- Novara G, et al. Systematic review and meta-analysis of perioperative outcomes and complications after robot-assisted radical prostatectomy. Eur Urol. 2012;62(3):431-452. doi:10.1016/j.eururo.2012.05.044. Acesse o estudo original
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