Cirurgia de Próstata com Laser Verde: Quando o Remédio Falha
- Dr. Bruno Benigno

- 29 de abr.
- 5 min de leitura
Levantar várias vezes à noite para urinar, jato fraco, sensação de bexiga cheia mesmo após urinar e a impressão de que os comprimidos da próstata "não funcionam mais como antes" são queixas que recebo todos os dias no consultório.
Quando o tratamento medicamentoso da próstata aumentada (HPB) deixa de controlar os sintomas, o paciente entra em um momento decisivo: continuar convivendo com o desconforto ou partir para uma solução cirúrgica.
Sou o Dr. Bruno Benigno (CRM SP 126265 | RQE 60022), urologista oncologista, com mais de 1.500 cirurgias robóticas e endoscópicas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Nove de Julho). Neste artigo, vou explicar de forma direta, baseada nas diretrizes mais recentes, como funciona a cirurgia de próstata com laser verde (Greenlight Laser), em que momento ela está indicada e por que ela vem se tornando uma das opções mais seguras para homens que falharam no tratamento clínico da HPB.
O que é a cirurgia com laser verde para próstata?
A cirurgia com laser verde — tecnicamente chamada de fotovaporização da próstata (PVP) com laser Greenlight 180W XPS — é um procedimento endoscópico, feito sem cortes, em que um cistoscópio é introduzido pela uretra e uma fibra ótica emite um feixe de laser de 532 nm de comprimento de onda. Esse comprimento é absorvido seletivamente pela hemoglobina do tecido prostático, vaporizando o adenoma com sangramento mínimo e abrindo um canal urinário amplo.
A técnica é considerada uma alternativa moderna à ressecção transuretral da próstata (RTU), padrão-ouro histórico, e está formalmente recomendada na Diretriz da American Urological Association (AUA) de 2023 para o tratamento dos sintomas urinários secundários à HPB, com nível de evidência adequado [1]. Na prática, o Greenlight oferece um resultado equivalente à RTU em melhora dos sintomas, mas com perfil de segurança superior — especialmente em pacientes anticoagulados, idosos ou de alto risco cirúrgico.
Quando o tratamento medicamentoso para próstata aumentada falha?
O fluxograma clássico da HPB começa com mudanças de estilo de vida e segue para alfa-bloqueadores (tansulosina, doxazosina, silodosina), inibidores da 5-alfa redutase (finasterida, dutasterida) ou combinações. Esse tratamento funciona bem na maioria dos pacientes — mas existe um grupo crescente em que ele simplesmente deixa de ser suficiente.
Os principais sinais de falha do tratamento clínico são:
IPSS (escore internacional de sintomas) persistentemente alto, mesmo em uso regular dos medicamentos.
Episódios de retenção urinária aguda (impossibilidade de urinar, com necessidade de sondagem).
Infecções urinárias de repetição, hematúria recorrente ou cálculos vesicais secundários à obstrução.
Piora da função renal por refluxo ou hidronefrose.
Efeitos colaterais intoleráveis dos medicamentos (tontura, hipotensão, alterações de libido e ejaculação).
Quando um ou mais desses critérios estão presentes, a Diretriz AUA recomenda formalmente a indicação de tratamento cirúrgico ou minimamente invasivo, e o laser verde é uma das opções com maior nível de recomendação [1].
Quais as vantagens do laser verde em relação à RTU clássica?
Estudos clínicos comparando a fotovaporização com Greenlight 180W XPS e técnicas tradicionais demonstram benefícios consistentes em segurança. Um estudo prospectivo com 102 pacientes submetidos ao Greenlight 180W XPS publicado no Journal of X-ray Science and Technology mostrou redução do IPSS de 28,9 para 5,88 e aumento do fluxo urinário máximo (Qmax) de 6,2 para 19,6 mL/s em 12 meses, sem nenhuma transfusão sanguínea e sem complicações maiores [2]. Traduzindo para a prática: os sintomas urinários melhoram em torno de 80%, o jato volta a ser forte como antes da doença e o risco de sangramento grave é praticamente desprezível.
As vantagens objetivas do laser verde sobre a RTU clássica incluem:
Sangramento mínimo, permitindo realizar o procedimento mesmo em pacientes em uso de anticoagulantes ou antiagregantes.
Tempo curto de sondagem vesical (em média 1,9 dias na revisão sistemática mais recente) [3].
Internação hospitalar reduzida, frequentemente em regime de alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
Ausência da síndrome pós-RTU (intoxicação hídrica), pois o procedimento usa solução salina.
Retorno mais rápido às atividades habituais.
O laser verde funciona em próstatas grandes?
Sim — e este é um dos pontos mais relevantes. Durante muito tempo, próstatas acima de 80 mL eram automaticamente encaminhadas para cirurgia aberta (prostatectomia simples). Hoje, evidências sólidas mostram que o Greenlight 180W XPS é uma alternativa segura também nesse cenário.
Um estudo comparativo publicado no Central European Journal of Urology avaliou 120 pacientes com próstatas acima de 80 mL e demonstrou que a fotovaporização a laser apresentou perfil de segurança e tempo de internação significativamente melhores que a prostatectomia aberta, com eficácia equivalente em IPSS e qualidade de vida [4].
O paciente com próstata muito grande, que antes precisaria enfrentar uma cirurgia aberta com corte abdominal e vários dias de internação, hoje pode ser tratado por via endoscópica, sem cicatriz, com recuperação muito mais rápida.
Como é a recuperação após a cirurgia com laser verde?
A recuperação é uma das características mais marcantes do procedimento. Em geral:
Sonda vesical: permanece de 24 a 48 horas (em média), retirada ainda nos primeiros dias.
Alta hospitalar: frequentemente em até 24 horas após a cirurgia.
Retorno ao trabalho: a maioria dos pacientes retoma atividades leves em 7 a 10 dias.
Atividade sexual: liberada, em geral, após 3 a 4 semanas.
Esforço físico intenso: evitar por cerca de 30 dias.
A revisão sistemática de Abid et al., publicada na revista The Prostate em 2024, mostrou que entre todas as terapias minimamente invasivas para HPB em pacientes idosos, o Greenlight foi a opção com o menor tempo médio de cateterismo pós-operatório (mediana de 1,9 dias) e com redução mediana de 69,9% no IPSS aos 12 meses [3]. Em outras palavras: além de tirar a sonda rapidamente, o paciente sai da cirurgia com sintomas urinários reduzidos em quase 70% — uma transformação significativa na qualidade de vida.
Quem é candidato à cirurgia com laser verde?
A indicação é individualizada, mas são candidatos típicos os homens com:
HPB sintomática com falha ou intolerância ao tratamento medicamentoso.
Retenção urinária aguda ou crônica.
Infecções urinárias de repetição relacionadas à obstrução.
Próstatas de 30 a 150 mL (selecionadas individualmente acima desse volume).
Pacientes em uso de anticoagulantes (warfarina, rivaroxabana, apixabana, AAS, clopidogrel) que não podem suspender a medicação por risco cardiovascular.
Idosos ou pacientes com comorbidades cardiovasculares para os quais a RTU clássica representa risco maior.
A avaliação completa envolve história clínica, IPSS, exame físico, PSA, ultrassom de vias urinárias com volume prostático, urofluxometria e, em casos selecionados, urodinâmica.
Sobre o autor
Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas e endoscópicas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Hospital Nove de Julho). CRM SP 126265 | RQE 60022. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga, hiperplasia prostática benigna e cirurgia minimamente invasiva.
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Tem sintomas urinários que pioraram, percebeu que os remédios da próstata não fazem mais o efeito de antes, ou está em dúvida se o laser verde é uma opção para o seu caso? Agende uma avaliação com o Dr. Bruno Benigno.
Referências Bibliográficas
1. Sandhu JS, Bixler BR, Dahm P, et al. Management of Lower Urinary Tract Symptoms Attributed to Benign Prostatic Hyperplasia (BPH): AUA Guideline Amendment 2023. The Journal of Urology. 2024;211(1):11-19. Acesse o estudo original
2. Tao W, Sun C, Yang D, et al. Application of 180W XPS GreenLight laser vaporization of the prostate for treatment of benign prostatic hyperplasia. Journal of X-ray Science and Technology. 2019;27(6):1121-1129. Acesse o estudo original
3. Abid A, Piperdi H, Babar M, et al. Minimally invasive surgical therapies for benign prostatic hyperplasia in the geriatric population: A systematic review. The Prostate. 2024;84(10):895-908. Acesse o estudo original
4. Burdziak H, Syryło T, Grabińska A, et al. Efficacy and safety of photoselective vaporization of the prostate using the Greenlight XPS 180W laser and simple prostatectomy for high-volume prostate hypertrophy: a comparative analysis. Central European Journal of Urology. 2024;77(1):64-76. Acesse o estudo original
Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Consulte um especialista para avaliação individual.




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