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Blog · Próstata aumentada

Finasterida e dutasterida causam câncer de próstata? O que dizem os estudos

Remédios que encolhem a próstata causam câncer ou mascaram o PSA? O urologista Bruno Benigno explica o que os estudos mostram sobre finasterida e dutasterida.

Por Dr. Bruno Benigno · Uro-oncologista · CRM-SP 126.265Publicado em 13 de outubro de 20265 min de leitura

São Paulo, 13 de outubro de 2026 — Levantar duas, três vezes por noite para urinar, enfrentar um jato fraco e conviver com a sensação de que a bexiga nunca esvazia por completo faz parte da rotina de milhões de homens acima dos 50 anos. Para muitos deles, a receita inclui um de dois nomes: finasterida ou dutasterida, os remédios capazes de reduzir o tamanho da próstata. Junto com o comprimido, porém, chegam as dúvidas: o remédio causa câncer? Atrapalha a vida sexual? Esconde o resultado do PSA?

No vídeo acima, o urologista e uro-oncologista Bruno Benigno, fundador da Clínica Uro Onco, em São Paulo, percorre os principais estudos científicos sobre essas drogas — da origem da molécula aos ensaios que acompanharam milhares de homens por quase duas décadas. Abaixo, reunimos os pontos centrais dessa análise.

Como os remédios que encolhem a próstata funcionam

A próstata cresce sob o estímulo da di-hidrotestosterona (DHT), um hormônio derivado da testosterona. A conversão de um no outro depende de uma enzima chamada 5-alfa-redutase. Finasterida e dutasterida bloqueiam essa enzima — por isso são chamadas de inibidores da 5-alfa-redutase. A finasterida reduz a DHT no sangue em cerca de 70%; a dutasterida, que bloqueia dois tipos da enzima, chega a mais de 90%.

Com menos DHT, a glândula diminui de forma lenta e progressiva: em média, entre 20% e 30% do volume ao longo de seis meses a um ano de uso contínuo. Não é um efeito imediato — quem espera alívio em poucos dias costuma se frustrar.

Por que isso importa: menos cirurgias e menos retenção urinária

O benefício mais relevante não é apenas urinar melhor, mas evitar complicações. No estudo MTOPS, publicado no New England Journal of Medicine com mais de 3 mil homens, a combinação de finasterida com um alfabloqueador reduziu em 66% o risco de progressão clínica da hiperplasia prostática benigna (HPB). No estudo CombAT, com quase 5 mil participantes, a associação de dutasterida e tansulosina diminuiu em cerca de dois terços o risco de retenção urinária aguda ou de cirurgia em quatro anos, na comparação com a tansulosina isolada.

Por isso, as diretrizes da Associação Europeia de Urologia (EAU) e da Associação Americana de Urologia (AUA) indicam esses medicamentos principalmente para homens com sintomas urinários e próstata aumentada — e não para todos os casos de HPB.

O efeito no PSA: o número cai pela metade

Aqui está um dos pontos que mais geram confusão. Após cerca de seis meses de uso, finasterida e dutasterida reduzem o PSA — o exame de sangue usado no rastreamento do câncer de próstata — em aproximadamente 50%. Isso não significa que o risco de câncer caiu pela metade: é um efeito do remédio sobre a produção do marcador.

Na prática, o urologista corrige o valor, em geral multiplicando o PSA por dois, e acompanha a tendência ao longo do tempo. Um PSA que volta a subir durante o tratamento merece atenção redobrada. O risco real é outro: o paciente começar o remédio sem informar ao médico que faz o rastreamento, e um PSA aparentemente normal passar despercebido.

Afinal, finasterida causa câncer de próstata?

A dúvida nasceu de dois grandes estudos. No PCPT, com cerca de 18 mil homens acompanhados por sete anos, a finasterida reduziu em quase 25% o número total de cânceres de próstata diagnosticados — mas os tumores de alto grau apareceram com um pouco mais de frequência (6,4% contra 5,1% no grupo placebo). O estudo REDUCE, com dutasterida, encontrou padrão semelhante. Em 2011, a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, incluiu um alerta sobre esse achado na bula dos dois medicamentos.

A resposta definitiva veio com o tempo. Em 2019, os participantes do PCPT foram reavaliados após uma mediana de 18 anos: não houve aumento de mortes por câncer de próstata entre os que tomaram finasterida — o número, na verdade, foi numericamente menor, sem diferença estatística. A explicação mais aceita é um viés de detecção: com a próstata menor e o PSA mais preciso, os tumores agressivos que já existiam passaram a ser encontrados com mais facilidade.

Mensagem principal: os estudos de longo prazo não mostram que finasterida ou dutasterida aumentem a mortalidade por câncer de próstata. O cuidado necessário é interpretar o PSA corretamente durante o tratamento.

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O Dr. Bruno Benigno é especialista em enucleação robótica da próstata e também realiza HoLEP, Rezum e Green Laser. A escolha da técnica considera o tamanho da próstata, os sintomas e o desejo de preservar a ejaculação.

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E a vida sexual?

Diminuição da libido, dificuldade de ereção e redução do volume ejaculado são efeitos colaterais conhecidos. Nos estudos controlados, eles atingem uma minoria dos pacientes — alguns pontos percentuais acima do placebo —, aparecem com mais frequência no primeiro ano e costumam regredir com a suspensão do remédio. A chamada síndrome pós-finasterida, em que sintomas persistiriam após a interrupção, é descrita na literatura, mas é rara e ainda tem causa debatida. Homens com queixas sexuais prévias devem discutir esse ponto com o urologista antes de iniciar o tratamento.

Quais são as alternativas

Os inibidores da 5-alfa-redutase não são a única opção. A escolha depende do tamanho da próstata, da intensidade dos sintomas, de exames como o PSA e o resíduo urinário e das prioridades de cada paciente:

  • Alfabloqueadores (como a tansulosina): relaxam a musculatura da próstata e melhoram o jato em poucos dias, mas não reduzem o tamanho da glândula.
  • Tadalafila 5 mg diária: alternativa interessante para quem tem sintomas urinários e disfunção erétil ao mesmo tempo.
  • Procedimentos minimamente invasivos e cirurgia: quando o remédio não resolve, causa efeitos indesejados ou o paciente não quer tomar comprimidos por tempo indeterminado, técnicas como a HoLEP (enucleação da próstata com laser) e a cirurgia robótica oferecem resultados duradouros, inclusive em próstatas muito grandes.

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Cinco perguntas para levar à consulta

  1. Qual é o volume da minha próstata e ele justifica um inibidor da 5-alfa-redutase?
  2. Como o meu PSA será interpretado enquanto eu tomar o remédio?
  3. Quanto tempo leva para eu perceber melhora dos sintomas?
  4. O que fazer se surgirem efeitos na vida sexual?
  5. No meu caso, um procedimento como a HoLEP seria uma opção melhor do que o tratamento contínuo com remédios?

Quando procurar um urologista

Jato fraco, urgência para urinar, acordar várias vezes à noite ou um PSA que mudou de patamar são motivos para uma avaliação individualizada. Na Clínica Uro Onco, o atendimento é feito presencialmente em São Paulo ou por teleconsulta, com planejamento do tratamento clínico ao cirúrgico.

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Sobre o autor

Dr. Bruno Benigno é urologista e uro-oncologista (CRM-SP 126265 | RQE 60022), fundador da Clínica Uro Onco, em São Paulo. Com fellowship no A.C. Camargo Cancer Center e mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas, atua nos hospitais Alemão Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês, Nove de Julho, Beneficência Portuguesa e Santa Catarina. É membro da American Urological Association (AUA) desde 2013.

Referências

  1. Thompson IM, et al. The influence of finasteride on the development of prostate cancer. N Engl J Med. 2003;349:215-224. doi:10.1056/NEJMoa030660
  2. Andriole GL, et al. Effect of dutasteride on the risk of prostate cancer (REDUCE). N Engl J Med. 2010;362:1192-1202. doi:10.1056/NEJMoa0908127
  3. Goodman PJ, et al. Long-term effects of finasteride on prostate cancer mortality. N Engl J Med. 2019;380:393-394. doi:10.1056/NEJMc1809961
  4. McConnell JD, et al. The long-term effect of doxazosin, finasteride, and combination therapy on the clinical progression of benign prostatic hyperplasia (MTOPS). N Engl J Med. 2003;349:2387-2398. doi:10.1056/NEJMoa030656
  5. Roehrborn CG, et al. The effects of combination therapy with dutasteride and tamsulosin on clinical outcomes in men with symptomatic BPH: 4-year results from the CombAT study. Eur Urol. 2010;57:123-131. doi:10.1016/j.eururo.2009.09.035
  6. EAU Guidelines on Management of Non-Neurogenic Male LUTS, incl. BPO; AUA Guideline on Management of Lower Urinary Tract Symptoms Attributed to BPH.

Contato: (11) 2769-3929 | WhatsApp (11) 99590-1506 | www.clinicauroonco.com.br

R. Borges Lagoa 1070, Cj 131, Vila Mariana — São Paulo, SP. Atendimento presencial ou por teleconsulta.

Este conteúdo tem caráter educativo e informativo e não substitui a consulta médica individualizada. Não inicie, suspenda ou altere medicamentos sem orientação do seu médico.

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Urologista e cirurgião uro-oncológico (CRM-SP 126.265 · RQE 60022). Mais de 1.500 cirurgias robóticas. Membro da AUA, EAU e SBU. Conheça o Dr. Bruno · Na mídia

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