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Recuperação após prostatectomia robótica: o que esperar nas 12 semanas

  • Foto do escritor: Dr. Bruno Benigno
    Dr. Bruno Benigno
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

A prostatectomia radical robótica é hoje a técnica cirúrgica mais refinada para tratamento do câncer de próstata localizado. Ela combina precisão, preservação de estruturas nobres (esfíncter urinário e nervos da ereção) e recuperação mais rápida do que a cirurgia aberta. Mas o sucesso do tratamento não termina na sala cirúrgica - a recuperação e a reabilitação nas 12 semanas seguintes são decisivas.

Neste guia, o Dr. Bruno Benigno - cirurgião robótico em São Paulo - detalha o que esperar a cada fase do pós-operatório da prostatectomia robótica: desde o dia da cirurgia até a reabilitação completa em 3 meses.

Linha do tempo da recuperação

A recuperação após prostatectomia robótica segue uma trajetória previsível. Abaixo, os principais marcos semana a semana.

D0 - Dia da cirurgia

  • Duração média da cirurgia: 2 a 3 horas.

  • Anestesia geral com protocolo ERAS (enhanced recovery after surgery).

  • Deambulação já nas primeiras 6 a 12 horas.

  • Dieta líquida e analgesia multimodal.

  • 5 incisões pequenas (8-12 mm) no abdome.

D1 a D2 - Internação

  • Alta hospitalar em 24 a 48 horas na maioria dos casos.

  • Dieta livre progressiva.

  • Sonda vesical mantida - orientação sobre cuidados com o cateter.

  • Receita com analgésicos, antibiótico profilático e medicação para evitar trombose.

Semana 1 - Casa

  • Repouso relativo: caminhadas leves dentro de casa a cada 2 horas.

  • Alimentação leve, hidratação abundante.

  • Retorno ao trabalho remoto possível no fim da semana, se bem tolerado.

  • Evitar esforços, dirigir ou levantar peso > 5 kg.

Semana 2 - Retirada da sonda

  • Sonda vesical retirada entre o 7º e o 14º dia, conforme cicatrização do esfíncter.

  • Início imediato do protocolo de fisioterapia do assoalho pélvico.

  • Esperar perda urinária leve a moderada no início - é transitória.

  • Uso de absorventes masculinos nas primeiras semanas.

Semanas 3 a 6 - Reabilitação ativa

  • Caminhadas de 30 a 45 minutos diários.

  • Fisioterapia pélvica 2x por semana.

  • Retomada gradual da rotina profissional presencial.

  • PSA de controle aos 30 dias (deve ser < 0,1 ng/mL - indetectável).

  • Expectativa: recuperação parcial a total da continência em 70-80% dos pacientes.

Semanas 7 a 12 - Reabilitação avançada

  • Liberação gradual para atividade física mais intensa (musculação, corrida).

  • Início do protocolo de reabilitação peniana para recuperação da função erétil.

  • Atividade sexual autorizada conforme tolerância e desejo.

  • Avaliação com médico assistente com PSA e retorno funcional.

Continência urinária - o que esperar

A incontinência urinária é a queixa mais comum no pós-operatório imediato e a que mais preocupa os pacientes. A boa notícia: é temporária na grande maioria dos casos. A literatura mostra:

  • 1 mês: 30 a 50% dos pacientes completamente continentes.

  • 3 meses: 70 a 80% continentes.

  • 6 meses: 85 a 92% continentes.

  • 12 meses: mais de 95% continentes em pacientes operados por cirurgiões com alto volume.

O que acelera a recuperação: fisioterapia pélvica precoce, adesão aos exercícios de Kegel e preservação cirúrgica do colo vesical e do esfíncter externo.

Função sexual - reabilitação peniana

A recuperação da ereção depende de três fatores: preservação dos nervos durante a cirurgia, função erétil pré-operatória e início precoce da reabilitação peniana. O protocolo moderno inclui:

  1. Inibidores da fosfodiesterase-5 (sildenafil, tadalafil) em baixas doses diárias, iniciando na 4ª semana.

  2. Bomba de vácuo para estimular fluxo sanguíneo cavernoso.

  3. Injeções intracavernosas se houver limitação maior.

  4. Abordagem multidisciplinar com fisioterapia, sexólogo ou psicólogo quando indicado.

A recuperação da função erétil costuma ocorrer entre 6 e 18 meses em pacientes com preservação dos feixes neurovasculares e ereção pré-operatória adequada.

Sinais de alerta - quando procurar o médico

Apesar da recuperação tranquila na maior parte dos casos, alguns sinais exigem contato imediato com o urologista:

  • Febre > 38°C.

  • Dor intensa que não cede com analgesia.

  • Sangramento persistente pela ferida ou pelo dreno.

  • Inchaço, vermelhidão ou secreção nas incisões.

  • Dor súbita e intensa na perna (sinal de trombose).

  • Parada de urinar após retirada da sonda.

Volta ao trabalho e à rotina

  • Trabalho de escritório/home office: 7 a 10 dias.

  • Trabalho com esforço físico leve: 3 semanas.

  • Trabalho com esforço físico intenso: 6 semanas.

  • Atividade física de impacto: 6 a 8 semanas.

  • Viagens longas de avião: após 3 semanas, com profilaxia para trombose.

  • Dirigir: quando não estiver em uso de analgésicos opioides e conseguir reagir em emergência.

Segurança oncológica e acompanhamento

O acompanhamento oncológico após a cirurgia é vitalício e se baseia em dosagens seriadas de PSA:

  • PSA aos 30 dias - deve ser < 0,1 ng/mL.

  • PSA a cada 3 meses no primeiro ano.

  • PSA a cada 6 meses do 2º ao 5º ano.

  • PSA anual após 5 anos.

  • Avaliação clínica com toque retal quando indicado.

Perguntas frequentes

Em quanto tempo volto a fazer esporte?

Caminhada leve já na primeira semana. Atividades mais intensas como corrida, musculação e esportes de impacto a partir de 6 a 8 semanas, com liberação individualizada.

A cirurgia robótica causa impotência definitiva?

Na grande maioria dos casos, não. Com preservação dos nervos e reabilitação peniana adequada, a função erétil tende a se recuperar gradualmente entre 6 e 18 meses.

É necessário usar fralda para sempre?

Não. A incontinência costuma ser temporária. Mais de 95% dos pacientes operados por cirurgiões experientes ficam continentes em até 12 meses.

Avaliação com especialista em uro-oncologia

Dr. Bruno Benigno é urologista e cirurgião robótico com atuação dedicada ao câncer de próstata na Clínica Uro Onco, em São Paulo. Se você busca uma segunda opinião ou avaliação personalizada, agende sua consulta por WhatsApp ou pelo telefone (11) 99590-1506.

Competência que acolhe. Ciência que explica. Cuidado que transforma.

Referências científicas

  • AUA Guideline on Clinically Localized Prostate Cancer (2022).

  • EAU Guidelines on Prostate Cancer - Treatment (2024).

  • Ficarra V et al. Systematic review of functional outcomes. Eur Urol 2012.

  • Tewari A et al. Positive surgical margin and perioperative complication rates. Eur Urol 2012.

  • NCCN Prostate Cancer Guidelines v2.2025.

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