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Vai Operar a Próstata? Veja Cada Etapa da Cirurgia Robótica Antes de Entrar no Centro Cirúrgico


A decisão de operar a próstata já foi tomada. O plano de tratamento foi definido com o seu médico. E ainda assim, uma dúvida persiste: o que exatamente vai acontecer ali dentro?

A ansiedade antes de uma cirurgia é legítima — especialmente quando se fala em câncer de próstata. Entrar no centro cirúrgico sem saber o que esperar gera mais medo do que o procedimento em si.


Por isso, o Dr. Bruno Benigno — urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas nos hospitais Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Nove de Julho (CRM SP 126265 | RQE 60022) — decidiu abrir os bastidores de uma prostatectomia radical robótica, do início ao fim.

Este artigo descreve, passo a passo, o que acontece em cada etapa da cirurgia robótica de próstata — da chegada ao centro cirúrgico à alta hospitalar.


O que é a prostatectomia radical robótica?

A prostatectomia radical robótica é o procedimento cirúrgico de remoção completa da próstata e das vesículas seminais, indicado principalmente para o tratamento do câncer de próstata localizado. Ela é realizada com o auxílio do sistema robótico Da Vinci, que permite ao cirurgião operar com precisão milimétrica através de incisões mínimas no abdômen.


Ao contrário do que o nome pode sugerir, o robô não opera de forma autônoma. O Dr. Bruno controla cada movimento do sistema em tempo real, a partir de um console com visão 3D ampliada e instrumentos articulados com amplitude de movimento superior ao da mão humana.


Segundo uma revisão sistemática publicada no PMC/NIH analisando múltiplos estudos comparativos, a cirurgia robótica reduz significativamente o sangramento intraoperatório e as taxas de transfusão sanguínea em comparação com a cirurgia aberta [1]. Na prática, isso significa menos risco de complicações perioperatórias e uma recuperação mais rápida para o paciente.


Quais são as etapas da cirurgia robótica de próstata?

Antes da cirurgia: preparação e anestesia

A cirurgia começa horas antes de o paciente entrar na sala. São necessários jejum de pelo menos oito horas, suspensão de anticoagulantes e exames laboratoriais recentes. Ao chegar ao hospital, o paciente é avaliado pela equipe de anestesiologia, que opta geralmente pela anestesia geral combinada com bloqueio peridural — garantindo controle da dor no pós-operatório imediato.


O docking: posicionamento do robô Da Vinci

Após a anestesia, o paciente é posicionado em Trendelenburg (cabeça levemente abaixada), e o sistema robótico Da Vinci é acoplado — etapa chamada de docking. Pequenas incisões (geralmente quatro a cinco, de menos de um centímetro cada) são realizadas no abdômen para a introdução dos braços robóticos e da câmera de alta definição em 3D. Esse posicionamento preciso é fundamental: define o ângulo de acesso à próstata e influencia diretamente a qualidade da dissecção das estruturas adjacentes.


Linfadenectomia pélvica: remoção dos gânglios

Em casos de câncer de próstata com risco intermediário ou alto, a cirurgia inclui a linfadenectomia pélvica — remoção dos gânglios linfáticos da pelve para análise anatomopatológica. Esse passo permite estadiar com precisão se há comprometimento linfonodal, o que impacta diretamente as decisões de tratamento complementar no pós-operatório.


Remoção da próstata: o núcleo do procedimento

Esta é a etapa central da cirurgia. A próstata é dissecada com cuidado das estruturas adjacentes — incluindo a bexiga, a uretra e, quando indicado, os feixes neurovasculares laterais responsáveis pela função erétil. A peça cirúrgica (próstata + vesículas seminais) é removida através de uma das incisões abdominais já existentes, sem necessidade de ampliar os cortes.


Preservação neurovascular: continência e função erétil

Um dos aspectos mais delicados da prostatectomia robótica é a preservação dos feixes neurovasculares — estruturas que correm nas laterais da próstata e são responsáveis pela ereção e, em parte, pela continência urinária.


Um estudo publicado no PubMed (PMID 38478106) comparando prostatectomia robótica e cirurgia aberta mostrou vantagem discreta, porém consistente, da abordagem robótica na recuperação da continência urinária no pós-operatório precoce [2]. Para o paciente, isso representa menor tempo dependendo de absorventes e retorno mais rápido à qualidade de vida.


Outro estudo (PMID 40940891) encontrou que a mediana de recuperação da função erétil foi de 69 dias, com 67% dos pacientes recuperando potência erétil no seguimento [3]. A recuperação sexual é possível — e o planejamento cirúrgico individualizado faz toda a diferença.


Encerramento e sonda vesical

Após a remoção da próstata, o cirurgião realiza a anastomose vesicouretral — conexão entre a bexiga e a uretra. Uma sonda vesical permanece por sete a dez dias, período necessário para a cicatrização adequada.


Quanto tempo dura a recuperação da prostatectomia robótica?

A alta hospitalar ocorre tipicamente em 24 a 48 horas. O retorno às atividades leves geralmente ocorre entre duas e três semanas. A continência urinária plena é atingida entre três e doze meses, dependendo da técnica cirúrgica e da realização de fisioterapia pélvica no pós-operatório.


Cirurgia aberta ou robótica: qual a diferença?

A cirurgia aberta e a robótica têm resultados oncológicos equivalentes. As vantagens da abordagem robótica são: menor sangramento, internação mais curta (1–2 dias vs. 3–5 dias), retorno mais rápido às atividades e recuperação de continência com vantagem discreta em relação à cirurgia aberta.


Quando a prostatectomia radical é indicada?

Segundo as diretrizes da EAU 2024, a prostatectomia radical é a principal opção curativa para homens com câncer de próstata localizado (T1–T2) ou localmente avançado selecionado (T3a), com expectativa de vida superior a dez anos. A decisão é sempre individualizada e considera estadiamento, escore de Gleason, PSA, idade e preferências do paciente.


Sobre o Dr. Bruno Benigno

Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas nos hospitais Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Nove de Julho. CRM SP 126265 | RQE 60022. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga.

Se este conteúdo foi útil, compartilhe com quem está prestes a passar por uma cirurgia de próstata. Tem dúvidas? Agende uma avaliação: http://bit.ly/2WMMiCI


⚠ Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Consulte um especialista para avaliação individual.


Referências Bibliográficas

1. Sosnowski R, et al. Comparison of outcomes of robot-assisted vs. open or laparoscopic radical prostatectomy. PMC/NIH. 2024. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12059318/

2. Coughlin GD, et al. Robot-assisted vs open retropubic radical prostatectomy. PubMed. 2024. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38478106/

3. Ficarra V, et al. Early Continence and Erectile Function Recovery Following Robot-Assisted Radical Prostatectomy. PubMed. 2025. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40940891/

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