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Pedra nos Rins: Como Evitar a Dor? Urologista Explica Sintomas e Tratamento

  • Foto do escritor: Dr. Bruno Benigno
    Dr. Bruno Benigno
  • 7 de abr.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 9 de abr.

Pedra nos Rins: Como Evitar a Dor? Urologista Explica Sintomas e Tratamento


A pedra nos rins — tecnicamente chamada de cálculo renal ou urolitíase — é responsável por uma das dores mais intensas que um ser humano pode experimentar. Muitos pacientes que já viveram essa situação relatam que a intensidade se compara à dor do parto. O problema é que, sem medidas preventivas, metade de quem já teve um cálculo renal terá outro dentro de cinco anos.


No programa Mulheres da TV Gazeta (07/04/2026), o Dr. Bruno Benigno — urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho) — explicou como evitar a pedra nos rins com mudanças acessíveis no dia a dia.

Neste artigo, você vai entender o que causa o cálculo renal, quais são os sintomas de alerta, quando buscar atendimento de urgência e, principalmente, como prevenir essa condição com hidratação adequada e alimentação correta.

O Que É a Pedra nos Rins e Por Que Ela Dói Tanto?

A pedra nos rins se forma quando substâncias presentes na urina — como cálcio, oxalato, ácido úrico e fosfato — se concentram em excesso e cristalizam, formando depósitos sólidos dentro do rim.


O cálculo pode permanecer alojado no rim por meses sem causar nenhum sintoma. A dor aparece quando a pedra se desprende e começa a percorrer o ureter — o canal que conecta o rim à bexiga. Ao bloquear esse canal, a pedra provoca obstrução e espasmo muscular intenso, gerando a famosa cólica renal: dor que pode irradiar da região lombar até a virilha.


O tamanho da pedra define o tratamento

O tamanho importa e define o caminho clínico. Pedras menores que 4 mm costumam ser eliminadas espontaneamente pela urina, com boa hidratação e analgesia. Acima de 10 mm, quase sempre é necessária alguma forma de intervenção urológica. Entre 4 e 10 mm, a decisão depende da localização, dos sintomas e das condições individuais do paciente.

Quais São os Sintomas de Pedra nos Rins?

Reconhecer os sintomas precocemente pode evitar complicações graves. Os principais sinais de alerta são:

  • Dor intensa e repentina na região lombar ou lateral do abdômen (cólica renal)

  • Dor que irradia para o abdômen inferior, virilha ou genitais

  • Urina avermelhada ou rosada — indicando sangramento no trato urinário (hematúria)

  • Urina turva ou com odor forte — pode sinalizar infecção urinária associada

  • Náuseas e vômitos acompanhando a dor

  • Urgência ou dor ao urinar — especialmente quando a pedra se aproxima da bexiga

Quando buscar atendimento de urgência: febre acima de 38°C associada à dor lombar é um sinal grave. Pode indicar infecção renal com obstrução — uma emergência urológica que requer tratamento imediato e não deve ser esperada em casa.

Beber Muita Água Realmente Previne Pedra nos Rins?

Sim — e existem evidências científicas sólidas que confirmam isso.

Uma revisão publicada na revista Nutrients (2023) analisou as recomendações de hidratação para pacientes com cálculo renal e concluiu que manter um volume urinário de pelo menos 2 a 2,5 litros por dia é a estratégia isolada mais eficaz para prevenir a formação e a recorrência de cálculos renais [1]. Na prática: isso significa beber em torno de 2,5 a 3 litros de água por dia, observando que a urina deve ter coloração clara — quase transparente. Urina escura é sinal de desidratação.


O mecanismo é simples: urina mais diluída significa menor concentração das substâncias que formam os cálculos. É uma medida barata, sem efeitos colaterais e respaldada por alto nível de evidência científica.

Frutas cítricas como aliadas

Sucos de limão e laranja naturais são aliados importantes. Essas frutas são ricas em citrato, substância que inibe naturalmente a formação de cálculos ao se ligar ao cálcio na urina, impedindo a cristalização. Uma limonada natural diária pode ser parte de uma estratégia preventiva eficaz.

O Que Comer (e o Que Evitar) para Não Ter Pedra nos Rins?

A alimentação tem papel central na prevenção dos cálculos renais — mas muita gente acredita em mitos que, na prática, fazem mais mal do que bem.


Mito derrubado: cálcio não é o vilão

Muitas pessoas acreditam que quem tem pedra nos rins precisa cortar alimentos ricos em cálcio. Isso está errado. Um estudo publicado no Mayo Clinic Proceedings (2022), que analisou fatores dietéticos em mais de 400.000 participantes ao longo de anos de acompanhamento, mostrou que ingestão de cálcio abaixo de 1.200 mg por dia está associada a maior risco de cálculo renal [2].


O cálcio da dieta — proveniente de leite, iogurte e queijo — quando consumido nas refeições, "captura" o oxalato no intestino, impedindo que ele seja absorvido e chegue ao rim. O cálcio não é o problema; o cálcio isolado em suplementos, fora das refeições, pode ser.

O que realmente aumenta o risco

  • Sal em excesso (sódio): Aumenta a excreção de cálcio pela urina, elevando diretamente o risco de formação de cálculos. Ultraprocessados, embutidos, fast food e enlatados são os maiores vilões.

  • Proteína animal em excesso: Carnes vermelhas e vísceras em excesso elevam a excreção de ácido úrico — que favorece um tipo específico de cálculo chamado cálculo de ácido úrico.

  • Alimentos ricos em oxalato sem cálcio: Espinafre, beterraba, chocolate e amendoim em quantidade elevada podem aumentar o risco em pessoas predispostas — especialmente quando consumidos sem cálcio na refeição.

O que protege

  • Água em quantidade suficiente ao longo de todo o dia

  • Frutas cítricas ricas em citrato (limão, laranja, acerola)

  • Hortaliças e frutas ricas em potássio

  • Cálcio adequado nas refeições (leite, iogurte, queijo com moderação)

Quando É Necessário Tratamento Médico?

Nem toda pedra nos rins resolve sozinha. As indicações de tratamento dependem do tamanho, localização, sintomas e condições clínicas do paciente. O urologista é o especialista responsável por essa avaliação.


Principais opções terapêuticas modernas


Litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO): Procedimento não invasivo que usa ondas sonoras para fragmentar o cálculo em partículas pequenas, eliminadas naturalmente pela urina. Indicada para pedras de até 2 cm no rim.


Ureteroscopia com laser (URSL): Introdução de um endoscópio fino pelo canal urinário até o ureter ou rim, com laser que pulveriza a pedra em micro-fragmentos. Não exige corte e tem alta taxa de sucesso para pedras no ureter.


Nefrolitotomia percutânea (NLPC): Para cálculos volumosos alojados no rim. Realizada por punção mínima na região lombar, com câmera e instrumentos que fragmentam e removem a pedra. Indicada para pedras maiores que 2 cm.

O exame mais indicado para diagnóstico e planejamento do tratamento é a tomografia computadorizada sem contraste, que permite visualizar o tamanho exato, a localização e a densidade do cálculo.

Sobre o Autor

Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo: Hospital Sírio-Libanês, Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga, e cirurgia minimamente invasiva. CRM SP 126265 | RQE 60022.

Se este conteúdo foi útil, compartilhe com quem precisa saber. Prevenir a pedra nos rins é possível — e começa com informação de qualidade.

Tem dúvidas ou quer uma avaliação individualizada? Agende sua consulta com o Dr. Bruno Benigno

Referências Bibliográficas

1. Ticinesi A, Lauretani F, Nouvenne A, et al. Hydration for Adult Patients with Nephrolithiasis: Specificities and Current Recommendations. Nutrients. 2023;15(23):4885. Acesse o estudo original

2. Ferraro PM, Taylor EN, Gambaro G, Curhan GC. Dietary Risk Factors for Incident and Recurrent Symptomatic Kidney Stones. Mayo Clin Proc. 2022;97(8):1545-1558. Acesse o estudo original

Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Consulte um especialista para avaliação individual.


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