Remédio da Próstata Parou de Funcionar? Conheça o Rezum
- Dr. Bruno Benigno

- há 4 dias
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Remédio da Próstata Parou de Funcionar? Conheça o Rezum
Você tomou o remédio prescrito pelo médico, seguiu o tratamento corretamente — mas o jato de urina continua fraco, as idas ao banheiro à madrugada não diminuíram e o desconforto persiste. Essa situação é mais comum do que você imagina e tem um nome: falha terapêutica na hiperplasia prostática benigna (HPB).
Dr. Bruno Benigno, urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo, apresenta neste artigo uma alternativa que está mudando a realidade de muitos pacientes: o Rezum, um tratamento minimamente invasivo aprovado pela ANVISA que usa vapor de água para tratar a próstata aumentada — sem cirurgia aberta, sem impacto na ereção e preservando a ejaculação em 80% dos casos.
O que é a hiperplasia prostática benigna (HPB)?
A hiperplasia prostática benigna é o crescimento benigno da próstata — sem relação com câncer — que comprime o canal urinário e provoca sintomas como jato fraco, urgência urinária, idas frequentes ao banheiro e sensação de bexiga cheia mesmo após urinar. A condição afeta mais de 90% dos homens acima de 80 anos, mas pode ocorrer em pacientes muito mais jovens, como demonstrado no caso real apresentado neste vídeo: um homem de apenas 44 anos com próstata de 60g e fluxo urinário reduzido a um terço do esperado.
Quando a próstata cresce além do esperado, ela funciona como um garrote apertando uma mangueira: a bexiga força para eliminar a urina, mas a obstrução impede o fluxo normal. Com o tempo, essa sobrecarga pode comprometer a função da bexiga de forma irreversível — o que torna a avaliação urológica precoce fundamental.
Por que o remédio para próstata pode parar de funcionar?
Os medicamentos mais usados para HPB — como a tansulosina (alfa-bloqueador) e a finasterida (inibidor da 5-alfa-redutase) — controlam os sintomas em muitos pacientes, mas não são definitivos. Em casos de próstatas maiores, com lobo médio projetado para dentro da bexiga, ou após anos de uso, a resposta ao tratamento medicamentoso tende a se reduzir progressivamente.
No caso apresentado pelo Dr. Bruno Benigno, o paciente de 44 anos tinha o jato urinário medido em 4,8 ml/s — quando o valor normal para sua faixa etária seria de 15 ml/s. A tansulosina havia deixado de ser eficaz. A urofluxometria e o estudo urodinâmico confirmaram obstrução infravesical com sobrecarga da bexiga. Era hora de uma alternativa terapêutica.
O que é o Rezum?
O Rezum é um sistema de ablação por vapor de água desenvolvido pela Boston Scientific, disponível no Brasil há aproximadamente 2,5 anos e já consolidado nos Estados Unidos há 8 anos. O procedimento consiste na aplicação de vapor d'água estéril a 102°C em múltiplos pontos da próstata, diretamente pelo canal uretral, em uma sessão ambulatorial que dura aproximadamente 10 minutos.
O vapor provoca coagulação térmica do tecido prostático nas áreas tratadas. Ao longo de 30 a 60 dias, o organismo absorve naturalmente esse tecido, desobstruindo o canal urinário e melhorando o fluxo sem necessidade de incisão cirúrgica. O procedimento não remove a próstata — apenas reduz o tecido que comprime a uretra.
Quais são as vantagens do Rezum?
A principal vantagem clínica do Rezum é a preservação da função ejaculatória. Em cirurgias tradicionais como a RTU-P (ressecção transuretral da próstata) ou o HoLEP, a ejaculação retrógrada — quando o sêmen é liberado para a bexiga em vez de para fora — é uma complicação frequente, impactando significativamente a vida sexual dos pacientes.
Com o Rezum, aproximadamente 80% dos homens preservam a ejaculação anterógrada normal — um diferencial relevante para pacientes mais jovens ou que desejam manter essa função.
Segundo o ensaio clínico multicêntrico randomizado publicado no Journal of Urology — o estudo mais robusto já realizado com o procedimento, acompanhando 197 pacientes por cinco anos —, o Rezum proporcionou redução de 48% no escore de sintomas urinários (IPSS), melhora de 44% no fluxo urinário máximo (Qmax) e 45% de melhora na qualidade de vida relacionada aos sintomas urinários [1]. Na prática, isso significa que a maioria dos pacientes passa de um fluxo obstrutivo para um padrão próximo ao normal — sem recorrer a uma cirurgia convencional.
O mesmo estudo não registrou nenhum caso de disfunção erétil surgida após o procedimento relacionada ao Rezum, o que reforça seu perfil de segurança sexual em relação a outras abordagens cirúrgicas mais invasivas.
Para quem o Rezum é indicado?
O Rezum é uma opção terapêutica para homens que:
Não respondem adequadamente ao tratamento medicamentoso para HPB
Desejam evitar ou postergar uma cirurgia mais invasiva
Têm próstata com volume entre 30 e 80 cm³
Apresentam bexiga com função preservada ao estudo urodinâmico
Têm interesse em preservar a função ejaculatória
O procedimento não é indicado para próstatas muito volumosas, para pacientes com comprometimento severo da bexiga ou com cálculos vesicais associados que exijam tratamento cirúrgico simultâneo. A avaliação individualizada com o urologista é indispensável para definir a melhor indicação.
Como é a recuperação após o Rezum?
A recuperação do Rezum exige que o paciente compreenda e aceite uma piora transitória dos sintomas antes da melhora definitiva. Após o procedimento:
Primeiros 7 dias: uso de sonda vesical (a próstata fica edemaciada logo após o vapor)
Primeiros 30 dias: jato urinário temporariamente mais fraco — o inchaço é esperado e faz parte do processo de cicatrização
Entre 30 e 40 dias: melhora progressiva e perceptível do fluxo urinário
3 a 6 meses: resultado definitivo estabelecido
Durante a recuperação, o uso de antibiótico e anti-inflamatório é obrigatório para prevenir infecção urinária e controlar o processo inflamatório local. O paciente deve ser orientado sobre essas etapas antes do procedimento para garantir adesão ao tratamento.
O Rezum é definitivo?
O Rezum tem boa durabilidade, mas não é permanente para todos os pacientes. Os dados de cinco anos do ensaio clínico pivotal mostram que cerca de 4,4% dos pacientes necessitaram de reintervenção cirúrgica e 11,1% voltaram ao tratamento medicamentoso nesse período [1].
O Dr. Bruno Benigno compara o procedimento a um "botox prostático": produz melhora significativa e duradoura, mas em 10 a 15% dos casos pode ser necessário um novo tratamento após 8 anos. A boa notícia é que o Rezum não impede tratamentos futuros — o paciente pode realizar o procedimento novamente ou optar por cirurgias mais definitivas como HoLEP ou RTU-P caso os sintomas retornem.
Rezum ou cirurgia tradicional — qual a diferença?
A principal diferença está no impacto sobre a função sexual e na invasividade. Enquanto a RTU-P e o HoLEP são altamente eficazes e oferecem resultados mais duradouros, ambos têm taxa significativa de ejaculação retrógrada — o que pode ser inaceitável para pacientes mais jovens ou que desejam preservar essa função.
O Rezum ocupa uma posição estratégica no algoritmo de tratamento da HPB: mais eficaz que a medicação, menos invasivo que a cirurgia convencional e com perfil de segurança sexual superior. É uma excelente opção para homens entre 45 e 70 anos com HPB moderada a grave e interesse em preservar a ejaculação — ou para aqueles que desejam postergar uma cirurgia definitiva.
Sobre o autor
Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Hospital Nove de Julho). CRM SP 126265 | RQE 60022. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga.
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Referências Bibliográficas
1. McVary KT, Rogers T, Roehrborn CG, et al. Final 5-Year Outcomes of the Multicenter Randomized Sham-Controlled Trial of a Water Vapor Thermal Therapy for Treatment of Moderate to Severe Lower Urinary Tract Symptoms Secondary to Benign Prostatic Hyperplasia. Journal of Urology. 2021;206(3):715–724.
Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Não substitui consulta médica individualizada. Consulte um especialista para avaliação individual.



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