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REZUM Pós-Operatório: Cuidados, Medicações e Resultados Reais — Urologista Explica

  • Foto do escritor: Dr. Bruno Benigno
    Dr. Bruno Benigno
  • 5 de abr.
  • 5 min de leitura

Você acabou de fazer o REZUM — ou está avaliando essa opção para tratar o crescimento da próstata — e quer saber exatamente o que acontece depois do procedimento? Essa é uma das dúvidas mais frequentes que recebo no consultório, e por isso decidi mostrar um caso real.

Neste artigo, apresento o caso de um paciente de 56 anos com próstata de 60g que realizou o REZUM com seis aplicações de vapor. Vou explicar os cuidados pós-operatórios do REZUM, as medicações necessárias, o que esperar nos primeiros dias e os resultados reais que essa terapia pode oferecer.

Sou o Dr. Bruno Benigno, urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias realizadas nos hospitais Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho, em São Paulo. CRM SP 126265 | RQE 60022.

O que é o REZUM e por que ele foi indicado neste caso?

O REZUM é uma terapia minimamente invasiva que utiliza vapor de água a 103°C para tratar a hiperplasia prostática benigna (HPB) — o crescimento benigno da próstata que pressiona a uretra e dificulta a urina.

Neste caso, o paciente chegou ao consultório com uma próstata de 55g (o normal é entre 30 e 35g), acordava três a quatro vezes por noite para urinar e já usava finasterida com tansulosina há meses — sem melhora satisfatória. A medicação havia atingido seu limite.

Por que escolher o REZUM e não a RTU de próstata?

A opção clássica para casos como esse seria a Ressecção Transuretral de Próstata (RTU), um procedimento cirúrgico eficaz, mas com uma desvantagem importante: causa ejaculação retrógrada em até 90% dos casos — o sêmen vai para a bexiga ao invés de ser expelido normalmente.

Para um homem sexualmente ativo, isso representa perda significativa de qualidade de vida. O REZUM preserva a função ejaculatória na grande maioria dos pacientes, e esse foi um fator decisivo na escolha do tratamento.

Como o REZUM funciona: a ciência por trás do vapor

Durante o procedimento, um dispositivo é introduzido pela uretra. Em pontos estratégicos da próstata, são aplicadas doses controladas de vapor de água a 103°C. Esse vapor coagula as proteínas do tecido prostático aumentado, provocando morte celular. Com o tempo — semanas a meses — o organismo absorve naturalmente esse tecido, reduzindo o volume da próstata e desobstruindo o canal urinário.

O procedimento é realizado em regime ambulatorial, com sedação leve e anestesia local. Não exige internação hospitalar.

Quais são os cuidados pós-operatórios do REZUM?

Após o procedimento, há um protocolo claro de cuidados que todo paciente deve seguir. Apresento aqui o que foi orientado neste caso real — e o que oriento sistematicamente nos meus pacientes.

Repouso e atividade física

Nos primeiros cinco a sete dias, o paciente deve manter repouso relativo. Isso significa evitar esforços físicos intensos, academia, corrida e atividades que aumentem a pressão abdominal. Não é necessário ficar acamado — caminhadas leves são permitidas e até recomendadas.

Dirigir também deve ser evitado na primeira semana, especialmente se o paciente ainda estiver usando medicações que causam sonolência.

Atividade sexual

A retomada da atividade sexual é recomendada após 15 dias do procedimento. Esse período é importante para que o edema pós-operatório diminua e o tecido tratado inicie o processo de absorção.

Sintomas esperados nos primeiros dias

É completamente normal sentir, nos primeiros 10 a 15 dias:

  • Urgência urinária (vontade súbita e intensa de urinar)

  • Ardência ao urinar

  • Aumento temporário da frequência urinária

  • Leve desconforto pélvico

Esses sintomas são uma resposta inflamatória local ao vapor de água — fazem parte do processo de cura. Não representam falha do tratamento.

Quais medicações são usadas após o REZUM?

O protocolo medicamentoso pós-REZUM inclui três categorias principais:

  • Antibiótico — para prevenir infecção urinária, uma das complicações mais comuns no pós-operatório.

  • Anti-inflamatório — para reduzir o edema prostático e aliviar o desconforto pélvico.

  • Medicação para urgência e ardência — antimuscarínicos ou beta-3 agonistas, que ajudam a controlar os sintomas do trato urinário inferior enquanto o tecido se recupera.

Cada protocolo é individualizado. Pacientes com comorbidades ou alergias podem ter ajustes na prescrição.

O REZUM preserva a função sexual?

Essa é uma das maiores preocupações dos homens que consideram o tratamento — e os dados são favoráveis.

Um estudo multicêntrico italiano com 352 pacientes, publicado na revista Minerva Urology and Nephrology em 2023, confirmou que a terapia com vapor de água melhora os sintomas urinários sem comprometer a função sexual [1]. Na prática, isso significa que a maioria dos homens que faz o REZUM consegue manter a função erétil e a ejaculação anterógrada — um diferencial importante em relação a outras cirurgias prostáticas.

Quais são os resultados reais do REZUM?

Os dados de literatura mostram resultados consistentes e duradouros.

Um estudo publicado em 2025 no Central European Journal of Urology, com 12 meses de seguimento em dados reais, demonstrou melhora expressiva nos principais indicadores [2]:

  • IPSS (escore de sintomas urinários): caiu de 21,9 para 6,0 — uma melhora de 72%

  • Fluxo urinário máximo (Qmax): aumentou de 9,67 para 18,12 ml/s — praticamente o dobro

  • Qualidade de vida: melhorou de 3,35 para 1,2 (escala de 0 a 6)

  • Função erétil (IIEF-5): mantida — de 23,9 para 24,8 ao longo de um ano

Em termos práticos: após um ano do REZUM, a maioria dos pacientes urina com muito mais facilidade, dorme sem interrupções noturnas e mantém a qualidade de vida sexual.

A taxa de necessidade de retratamento foi de apenas 2,1% em um ano — comparável ao que observamos com procedimentos cirúrgicos tradicionais como a RTU.

O REZUM é indicado para próstatas grandes?

Uma dúvida frequente diz respeito à indicação para próstatas maiores. Neste caso, a próstata tinha 60g e o procedimento foi realizado com seis aplicações de vapor, o que é compatível com próstatas de maior volume.

As diretrizes da EAU (European Association of Urology) e da AUA (American Urological Association) reconhecem o REZUM como opção válida para o tratamento da HPB, especialmente em homens que desejam preservar a função sexual ou evitar internação hospitalar.

Quando os sintomas melhoram após o REZUM?

A melhora não é imediata — e isso precisa ser dito com clareza. Nos primeiros dias, os sintomas urinários podem até piorar temporariamente, devido ao edema local. A melhora progressiva começa, em geral, após 4 a 6 semanas, com estabilização dos resultados ao redor de 3 a 6 meses após o procedimento.

Quais são as possíveis complicações do REZUM?

Como todo procedimento médico, o REZUM tem uma taxa de complicações. As mais comuns são:

  • Infecção urinária — prevenida com antibioticoprofilaxia

  • Retenção urinária temporária — pode exigir uso de sonda por alguns dias

  • Necessidade de retratamento — ocorre em 5 a 7% dos casos em médio prazo

Não há casos de incontinência urinária permanente relatados nos estudos com seguimento adequado.

Considerações finais

O REZUM é uma opção terapêutica eficaz, segura e minimamente invasiva para homens com HPB que buscam melhora dos sintomas urinários com preservação da qualidade de vida sexual. O pós-operatório exige atenção — mas é previsível e manejável com protocolo adequado.

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Tem dúvidas sobre o REZUM ou sobre o tratamento do crescimento da próstata? Agende uma avaliação individualizada com o Dr. Bruno Benigno: http://bit.ly/2WMMiCI

Sobre o autor

Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Hospital Nove de Julho). CRM SP 126265 | RQE 60022. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga, HPB e cirurgia minimamente invasiva em urologia.

Referências Bibliográficas

  1. Cindolo L, Morselli S, Campobasso D, et al. One-year outcomes after water vapor thermal therapy for symptomatic benign prostatic hyperplasia in an unselected Italian multicenter cohort. Minerva Urol Nephrol. 2023;75(2):203-209. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36656128/

  2. Cakiroglu B, Acar IC, Uyanik BS. Outcomes of Rezum water vapor therapy for benign prostate obstruction with 1-year follow-up: Largest real-world data from Turkey. Cent European J Urol. 2025. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40873867/

Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Não substitui consulta médica individualizada. Consulte um especialista para avaliação do seu caso.

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