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Blog · Câncer de próstata

Benito di Paula e câncer de próstata: o que todo homem deve saber

A morte de Benito di Paula trouxe o câncer de próstata para o centro das atenções. O urologista Dr. Bruno Benigno explica a doença, os sinais de alerta, quando fazer o PSA e o que dizem os estudos mais recentes.

Por Dr. Bruno Benigno · Uro-oncologista · CRM-SP 126.265Publicado em 21 de outubro de 202610 min de leitura

Resposta rápida: O cantor Benito di Paula morreu em 18 de outubro de 2026, aos 84 anos, em São Paulo, em decorrência de um câncer de próstata que tratava havia cerca de um ano, segundo sua assessoria. O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens brasileiros e costuma não dar sintomas na fase inicial. Por isso, a conversa com o urologista sobre o exame de PSA deve começar aos 50 anos, ou aos 45 para homens negros e para quem tem pai ou irmão com a doença. Descoberto cedo, o câncer de próstata tem altas chances de controle e cura.

A notícia da morte de Benito di Paula, voz de clássicos como "Retalhos de Cetim" e "Charlie Brown", comoveu o Brasil. Junto com as homenagens, surgiu uma pergunta que muitos homens e suas famílias passaram a fazer: "e eu, preciso me preocupar com a próstata?".

Neste artigo, o Dr. Bruno Benigno, urologista e uro-oncologista em São Paulo (CRM-SP 126265 | RQE 60022), explica de forma simples o que é o câncer de próstata, por que ele é chamado de "silencioso", quando fazer o exame de PSA e o que os estudos mais recentes mostram sobre diagnóstico precoce.

Atualizado em 21 de outubro de 2026 · Revisão médica: Dr. Bruno Benigno, urologista (CRM-SP 126265)

Pontos-chave deste artigo

  • Benito di Paula morreu aos 84 anos, em São Paulo, de câncer de próstata, após cerca de um ano de tratamento.
  • O câncer de próstata é o câncer mais comum entre os homens no Brasil: o INCA estima cerca de 78 mil casos novos por ano entre 2026 e 2028.
  • Na fase inicial, a doença quase nunca causa sintomas; esperar sentir algo pode significar descobrir tarde.
  • A avaliação com urologista deve começar aos 50 anos, ou aos 45 em homens negros e com histórico familiar.
  • Estudos de 2026 confirmam que o rastreamento com PSA reduz as mortes por câncer de próstata.
  • Nem todo câncer de próstata precisa de cirurgia: muitos casos de baixo risco são apenas acompanhados.

Do que morreu Benito di Paula?

Benito di Paula morreu em decorrência de um câncer de próstata, segundo a assessoria de imprensa do artista. Ele tinha 84 anos, completaria 85 em novembro e tratava a doença havia cerca de um ano. Ele seguiu se apresentando até os últimos meses de vida: em julho, participou do espetáculo "Benito 85", que celebrava o seu aniversário.

Os detalhes clínicos do caso, como o estágio em que a doença foi descoberta e os tratamentos realizados, não foram divulgados. Por respeito ao artista e à família, não cabe especular sobre o caso dele. O que podemos fazer é usar este momento para informar, porque informação de qualidade salva vidas.

Onde a imprensa noticiou: a morte do artista foi destaque nos principais veículos do país. Para quem quiser ler a cobertura completa:

O câncer de próstata é comum no Brasil?

Sim. O câncer de próstata é o tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros (sem contar o câncer de pele não melanoma). O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 77.920 casos novos por ano entre 2026 e 2028.

A doença também mata muito. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) divulgados pela CNN Brasil mostram que 11.257 homens morreram de câncer de próstata em 2026 até meados de outubro, o equivalente a cerca de 46 mortes por dia.

E a tendência é de aumento. Uma comissão internacional de especialistas publicada na revista The Lancet projetou que os casos novos no mundo devem dobrar, de 1,4 milhão em 2020 para 2,9 milhões em 2040, principalmente pelo envelhecimento da população [1]. A mesma comissão observou que o diagnóstico tardio é generalizado e se tornou a regra nos países de renda média e baixa, como o Brasil. Na prática: quanto mais os homens vivem, mais casos vão surgir, e a melhor defesa é descobrir a doença enquanto ela ainda é curável.

Câncer de próstata dá sintomas?

Na fase inicial, o câncer de próstata quase nunca dá sintomas. É por isso que ele é chamado de "doença silenciosa": o tumor costuma crescer na parte externa da glândula, longe do canal da urina, e não atrapalha o jato urinário no começo.

Quando aparecem sintomas, muitas vezes a doença já está mais avançada. Os sinais que merecem avaliação com urologista são:

  • dificuldade para urinar ou jato fraco;
  • vontade frequente de urinar, principalmente à noite;
  • sangue na urina ou no sêmen;
  • dor nos ossos (coluna, bacia ou quadril) sem causa aparente;
  • perda de peso sem explicação.

Atenção: os sintomas urinários também são muito comuns no aumento benigno da próstata (hiperplasia prostática), que não é câncer. Só a avaliação médica diferencia uma coisa da outra.

SituaçãoO que costuma acontecerO que fazer
Câncer de próstata inicialGeralmente sem nenhum sintomaAvaliação periódica com urologista e PSA
Aumento benigno da próstataJato fraco, levantar à noite para urinarConsulta com urologista para diagnóstico e tratamento
Câncer de próstata avançadoPode causar dor óssea, sangue na urina, cansaçoAvaliação urgente com urologista

Quando fazer o exame de PSA?

A conversa com o urologista sobre o exame de PSA deve começar aos 50 anos para a maioria dos homens. Para homens negros e para quem tem pai ou irmão com câncer de próstata, a recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) é começar aos 45 anos. Em ambos os casos, a avaliação faz sentido quando a expectativa de vida é superior a 10 anos.

O PSA (antígeno prostático específico) é uma proteína produzida pela próstata e medida em um exame de sangue simples. Um PSA alterado não significa câncer: ele também sobe com inflamação, infecção ou aumento benigno da próstata. Por isso, o resultado é sempre interpretado pelo urologista junto com a idade, o histórico familiar, o exame físico e, quando necessário, a ressonância magnética da próstata. Saiba mais em Tratamento do PSA elevado.

Perfil do homemQuando começar a avaliação
Sem fatores de riscoA partir dos 50 anos
Homem negroA partir dos 45 anos
Pai ou irmão com câncer de próstataA partir dos 45 anos
Portador de mutação genética (ex.: BRCA2)Discutir início mais precoce com o urologista

As diretrizes internacionais da American Urological Association (AUA), da European Association of Urology (EAU) e da NCCN convergem em um ponto: a decisão de fazer o rastreamento deve ser compartilhada entre o médico e o paciente, com explicação clara de benefícios e riscos.

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O rastreamento com PSA realmente salva vidas?

Sim. As evidências mais recentes mostram que o rastreamento com PSA reduz as mortes por câncer de próstata. Em 2026, duas grandes revisões de estudos mudaram o tom de um debate que durava anos.

A revisão da Cochrane, publicada em maio de 2026 e atualizada após 13 anos, reuniu seis estudos com quase 790 mil homens acompanhados por até 23 anos. Ela concluiu que o rastreamento com PSA provavelmente reduz a mortalidade por câncer de próstata em cerca de 13%, o equivalente a duas mortes a menos para cada mil homens rastreados [2]. A análise também sugeriu que o rastreamento pode reduzir em cerca de um terço os diagnósticos de câncer já com metástase, embora com evidência de menor certeza. Na prática: fazer o PSA com orientação médica ajuda a encontrar o câncer antes que ele se espalhe, quando o tratamento tem mais chance de cura.

Outra revisão, publicada na revista European Urology, analisou cinco grandes estudos com mais de 720 mil participantes e encontrou, com alta certeza da evidência, menor risco de morte por câncer de próstata entre os homens que fizeram o rastreamento [3]. Os autores observaram que o benefício parece crescer com o tempo de acompanhamento. Em termos simples: o benefício do PSA aparece ao longo dos anos, por isso a avaliação deve ser regular, e não um exame isolado.

O rastreamento também tem desvantagens. Ele aumenta o diagnóstico de tumores pequenos e pouco agressivos, que talvez nunca causassem problemas (o chamado sobrediagnóstico) [2].

Hoje, a ressonância magnética antes da biópsia e a vigilância ativa ajudam a reduzir esse risco. Veja como funciona a investigação em Rastreamento e biópsia no câncer de próstata.

Câncer de próstata tem cura?

Sim, na maioria dos casos descobertos cedo, o câncer de próstata tem cura. Quando a doença está restrita à próstata, as principais opções são:

  • Vigilância ativa: acompanhamento com PSA, ressonância e, às vezes, nova biópsia, para tumores de baixo risco. Muitos homens nunca precisam ser operados.
  • Cirurgia (prostatectomia radical): retirada da próstata, hoje feita com frequência por via robótica, com recuperação mais rápida.
  • Radioterapia: com ou sem hormonioterapia, dependendo do risco.

Mesmo na doença avançada, os tratamentos modernos permitem controlar o câncer por muitos anos, com qualidade de vida. Um exemplo recente é a oferta da abiraterona no SUS, explicada em Abiraterona no SUS: o que muda em 2026. Se você recebeu o diagnóstico, leia também Câncer de próstata: 5 perguntas antes da cirurgia.

Quiz: verdade ou mito?

5 perguntas, leva 1 minuto. Leia cada afirmação, pense se é verdade ou mito e toque nela para ver a resposta.

1. Câncer de próstata no início sempre dá sintomas. Verdade ou mito?

MITO. Na fase inicial, a doença quase nunca causa sintomas. Esperar sentir algo pode atrasar o diagnóstico.

2. Um PSA alto, sozinho, confirma o câncer de próstata. Verdade ou mito?

MITO. O PSA também sobe com inflamação, infecção e aumento benigno da próstata. O diagnóstico só é confirmado pela biópsia.

3. Homens negros e quem tem pai ou irmão com a doença devem começar a avaliação mais cedo. Verdade ou mito?

VERDADE. A recomendação é iniciar a conversa com o urologista aos 45 anos, e não aos 50.

4. Fazer o PSA não muda nada no risco de morrer de câncer de próstata. Verdade ou mito?

MITO. Revisões de 2026, incluindo a da Cochrane, mostram que o rastreamento reduz as mortes pela doença.

5. Todo câncer de próstata precisa ser operado imediatamente. Verdade ou mito?

MITO. Muitos tumores de baixo risco são apenas acompanhados de perto (vigilância ativa), sem cirurgia.

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Quando procurar um urologista?

  • tem 50 anos ou mais e nunca conversou com um urologista sobre a próstata;
  • tem 45 anos ou mais e é negro, ou tem pai ou irmão com câncer de próstata;
  • tem jato urinário fraco, levanta várias vezes à noite para urinar ou sente que a bexiga não esvazia;
  • notou sangue na urina ou no sêmen;
  • tem dor nos ossos sem explicação;
  • recebeu um resultado de PSA alterado e não sabe o que fazer.

E você: já conversou com um urologista sobre a sua próstata este ano? Fale com a equipe da Clínica Uro Onco. O atendimento é presencial em São Paulo ou por teleconsulta, para pacientes de todo o Brasil.

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Perguntas frequentes sobre Benito di Paula e câncer de próstata

Do que morreu o cantor Benito di Paula?

Benito di Paula morreu em 18 de outubro de 2026, aos 84 anos, em São Paulo, em decorrência de um câncer de próstata que tratava havia cerca de um ano, segundo informou sua assessoria de imprensa. Os detalhes clínicos do caso não foram divulgados.

Câncer de próstata dá sintomas no começo?

Geralmente não. Na fase inicial, o câncer de próstata costuma ser silencioso. Sintomas como dificuldade para urinar, sangue na urina ou dor nos ossos podem surgir em fases mais avançadas ou ser causados por outras doenças, como o aumento benigno da próstata. Por isso, a avaliação periódica com urologista é importante mesmo sem sintomas.

Com que idade o homem deve fazer o exame de PSA?

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que a conversa com o urologista sobre o PSA comece aos 50 anos. Homens negros e homens com pai ou irmão com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. A avaliação é indicada quando a expectativa de vida é superior a 10 anos e a decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente.

PSA alto significa câncer de próstata?

Não necessariamente. O PSA pode subir por inflamação, infecção urinária, aumento benigno da próstata e outras causas. Um PSA alterado indica que o homem precisa de avaliação com urologista, que pode pedir novos exames, como ressonância magnética da próstata, e, se necessário, biópsia, o único exame que confirma o diagnóstico.

O câncer de próstata tem cura?

Sim, quando diagnosticado na fase inicial, o câncer de próstata tem altas chances de cura com cirurgia, radioterapia ou, em casos de baixo risco, vigilância ativa. Na doença avançada, os tratamentos atuais permitem controlar o câncer por muitos anos, com qualidade de vida.

O exame de PSA realmente reduz as mortes por câncer de próstata?

Sim. Revisões publicadas em 2026 pela Cochrane e na revista European Urology, com centenas de milhares de homens acompanhados por até 23 anos, mostraram que o rastreamento com PSA reduz a mortalidade por câncer de próstata. O benefício deve ser pesado contra o risco de sobrediagnóstico, conversando com o urologista.


Sobre o autor

Dr. Bruno Benigno é urologista e uro-oncologista, fundador da Clínica Uro Onco, com mais de 1.500 cirurgias robóticas realizadas em hospitais de excelência em São Paulo (Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês, Nove de Julho, Beneficência Portuguesa e Hospital Santa Catarina). Atua em câncer de próstata, rim e bexiga e em cirurgias minimamente invasivas. CRM-SP 126265 | RQE 60022.

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Referências bibliográficas

  1. James ND, Tannock I, N'Dow J, et al. The Lancet Commission on prostate cancer: planning for the surge in cases. Lancet. 2024;403(10437):1683-1722. doi:10.1016/S0140-6736(24)00651-2. Acesse o estudo original
  2. Franco JVA, Hwang EC, Jung JH, et al. Prostate-specific antigen (PSA) test for prostate cancer screening. Cochrane Database Syst Rev. 2026;5(5):CD004720. doi:10.1002/14651858.CD004720.pub4. Acesse o estudo original
  3. Nguyen DD, Tadayon Najafabadi B, Lin L, et al. Effect of prostate cancer screening with prostate-specific antigen testing on long-term prostate cancer-specific mortality: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Eur Urol. 2026;90(3):225-238. doi:10.1016/j.eururo.2026.04.005. Acesse o estudo original

Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Não substitui a consulta médica. Consulte um especialista para avaliação individual.

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Urologista e cirurgião uro-oncológico (CRM-SP 126.265 · RQE 60022). Mais de 1.500 cirurgias robóticas. Membro da AUA, EAU e SBU. Conheça o Dr. Bruno · Na mídia

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