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Cateter Duplo J: Como é Feita a Retirada e o Que Esperar

Atualizado: há 3 dias

Você está prestes a passar por um procedimento urológico — ou já saiu do centro cirúrgico com um cateter duplo J instalado — e quer entender exatamente o que acontece até o momento da retirada. A dor é muita? Precisa de anestesia? É feito no consultório ou no hospital?


Essas dúvidas são extremamente comuns e merecem respostas claras. O Dr. Bruno Benigno, urologista oncologista em São Paulo com mais de 1.500 procedimentos cirúrgicos realizados, explica neste artigo tudo o que você precisa saber sobre o cateter duplo J: o que é, por que é colocado, quanto tempo fica e como é feita a retirada — de forma segura e com o mínimo de desconforto possível.

O Que é o Cateter Duplo J?

O cateter duplo J — também chamado de stent ureteral ou duplo J — é um tubo fino e flexível, feito de silicone ou poliuretano, posicionado dentro do ureter: o canal que conecta o rim à bexiga. Ele recebe esse nome porque suas duas extremidades são curvadas em formato de "J", o que o mantém preso — uma ponta no rim, a outra na bexiga — sem risco de deslocamento.

Na prática, o cateter funciona como um "trilho interno" que garante a passagem livre da urina do rim para a bexiga mesmo quando há algum obstáculo no ureter — seja um cálculo, um edema pós-operatório ou um estreitamento do canal.


Por Que o Cateter Duplo J é Colocado?

A colocação do duplo J é indicada em situações em que o fluxo urinário normal corre risco de ser comprometido. As situações mais comuns incluem:

  • Após cirurgia para retirada de cálculos renais ou ureterais (ureteroscopia, nefrolitotripsia percutânea)

  • Obstrução ureteral por cálculo impactado, tumor ou compressão externa

  • Pós-operatório de cirurgias no ureter ou no rim para proteger a cicatrização

  • Preparo para litotripsia extracorpórea (ondas de choque) quando o cálculo é muito grande

O objetivo principal é proteger o rim, evitar a hidronefrose (inchaço renal por acúmulo de urina) e garantir uma recuperação mais segura.


Quais São os Sintomas Comuns Durante o Uso do Cateter Duplo J?

O duplo J pode causar sintomas urinários que variam de leves a moderados. Os mais frequentes são: urgência urinária e aumento da frequência das idas ao banheiro, ardência ou desconforto ao urinar, dor lombar ou pélvica especialmente ao urinar ou fazer esforço, presença de sangue na urina (hematúria) geralmente discreta, e sensação de bexiga não completamente esvaziada.


Um estudo publicado na revista Urology International avaliou tratamentos para esses sintomas e confirmou que medicamentos específicos — como os bloqueadores alfa — reduzem de forma significativa o desconforto urinário associado ao cateter [1]. Na prática, isso significa que esses sintomas não precisam ser tolerados passivamente: há tratamento disponível e eficaz que pode ser prescrito pelo seu urologista.

Quanto Tempo o Cateter Duplo J Pode Ficar?

O tempo de permanência varia conforme a indicação clínica:

  • Curta permanência: de 3 a 14 dias (mais comum após ureteroscopia simples)

  • Permanência intermediária: de 2 a 6 semanas (pós-operatório de cirurgias mais complexas)

  • Longa permanência: até 3 a 6 meses (casos de obstrução crônica ou tumoral)

É fundamental respeitar o prazo determinado pelo seu médico. Catéteres mantidos além do tempo recomendado podem calcificar — fenômeno em que o material mineraliza junto com os depósitos urinários — o que torna a retirada significativamente mais difícil e pode exigir procedimentos adicionais.


Como é Feita a Retirada do Cateter Duplo J?

Existem dois métodos de retirada, e a escolha depende de quanto tempo o cateter ficou instalado e de como ele foi posicionado na cirurgia.


Retirada no Consultório com Fio de Nylon

Quando o urologista prevê que o duplo J será removido em poucos dias, ele deixa um fio de nylon muito fino saindo pela uretra — invisível e sem incômodo relevante para o paciente. Na consulta de retorno, o cateter é retirado simplesmente puxando esse fio. O procedimento leva poucos segundos, é feito no consultório e, na maioria dos casos, causa apenas desconforto leve e passageiro.


Um estudo publicado no BJU International — uma das revistas de urologia de maior impacto no mundo — comparou a retirada por fio com a retirada por cistoscopia e mostrou que a retirada por fio resultou em significativamente menos dor, sem aumento nas taxas de complicações como infecção urinária ou deslocamento acidental do cateter [2]. Em termos práticos: quando o fio está presente, é o método mais seguro e confortável para a maioria dos pacientes.

Retirada por Cistoscopia

Quando o cateter foi instalado sem fio externo — o que ocorre em permanências mais longas — a retirada é feita por cistoscopia. Um cistoscópio (instrumento endoscópico fino) é introduzido pela uretra até a bexiga, o cateter é visualizado e removido com uma pinça específica. O procedimento é realizado em ambiente hospitalar ou clínica especializada, geralmente com sedação leve ou anestesia local, e tem duração de cerca de 10 a 15 minutos. O paciente volta para casa no mesmo dia.


O Que Fazer Após a Retirada do Cateter Duplo J?

Os primeiros dias após a retirada podem trazer algum desconforto urinário — ardência, urgência e leve hematúria são normais e costumam desaparecer espontaneamente em 3 a 5 dias. Siga estas orientações práticas:

  • Hidrate-se bem: aumente a ingestão de água para facilitar a eliminação de qualquer resíduo

  • Use o antibiótico prescrito: seu médico pode indicar cobertura antibiótica profilática por 1 a 3 dias

  • Repouso relativo: evite atividades físicas intensas por 3 a 5 dias após a retirada

  • Atenção a sinais de alerta: febre acima de 38°C, sangramento intenso, dor lombar intensa ou incapacidade de urinar são motivos para buscar atendimento médico imediatamente

Sobre o Autor

Dr. Bruno Benigno é urologista oncologista com mais de 1.500 procedimentos cirúrgicos realizados em hospitais de excelência em São Paulo — Sírio-Libanês, Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho. Especialista em câncer de próstata, rim e bexiga, cirurgia robótica e procedimentos minimamente invasivos. CRM SP 126265 | RQE 60022.

Se este conteúdo foi útil, compartilhe com quem precisa. Tem dúvidas sobre o cateter duplo J ou quer conversar sobre o seu caso? Agende uma avaliação com o Dr. Bruno Benigno.

Este conteúdo tem caráter educativo e é baseado em evidências científicas atuais. Consulte um especialista para avaliação individual.

Referências Bibliográficas

1. Pecoraro A, Peretti D, Tian Z, et al. Treatment of Ureteral Stent-Related Symptoms. Urology International. 2023;107(3):288-303. Acesse o estudo original

2. Inoue T, Okada S, Hamamoto S, et al. Impact of ureteric stent removal by string on patient's quality of life and on complications at post-ureteroscopy for urolithiasis: a controlled trial. BJU International. 2019;124(2):314-320. Acesse o estudo original


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