top of page

Gleason 9, PSA 52 e uma Decisão que Pode Definir o Futuro: O Que Fazer Diante do Câncer de Próstata de Alto Risco

  • Foto do escritor: Dr. Bruno Benigno
    Dr. Bruno Benigno
  • há 5 horas
  • 5 min de leitura

Por Dr. Bruno Benigno — Clínica Uro Onco, São Paulo


Era uma tarde de inverno em São Paulo quando um homem de 75 anos sentou-se diante do Dr. Bruno Benigno com uma pasta de exames nas mãos e um diagnóstico que havia virado a sua vida de cabeça para baixo. Ex-ciclista, ativo, sem histórico de doenças graves, ele havia passado anos evitando o médico após a pandemia. Quando finalmente voltou, os números contavam uma história que não poderia mais ser ignorada: PSA de 52 — dez vezes acima do limite superior considerado normal — e uma biópsia com resultado Gleason 9, uma das graduações mais agressivas do câncer de próstata.


"Receber esse diagnóstico realmente assusta", diz o Dr. Benigno, urologista e uro-oncologista há mais de uma década. "Mas a informação é o maior aliado que o paciente pode ter nesse momento."

O Que os Números Revelam

O PSA — Antígeno Prostático Específico — é uma proteína produzida exclusivamente pela próstata. Quando seus níveis sobem no exame de sangue, é um sinal de alerta: algo está errado. Mas o PSA sozinho não fecha nenhum diagnóstico. Ele pode subir em casos de inflamação, aumento benigno da próstata ou, sim, em casos de câncer. Quem confirma o diagnóstico é sempre a biópsia.

No caso do paciente em questão, a biópsia não deixou margem para dúvidas. O resultado trouxe um Gleason 9 — escala que vai de 2 a 10 e mede a velocidade com que as células cancerígenas se multiplicam. Quanto maior o número, mais agressivo o tumor. Gleason 9 significa que o patologista identificou dois padrões celulares altamente agressivos no tecido retirado: padrão 4 e padrão 5, cuja soma resulta no escore 9.


"O Gleason é a somatória dos dois principais padrões de câncer encontrados na biópsia", explica o Dr. Benigno. "Ele diz para o médico com que velocidade a doença se comporta."

O Papel Revolucionário do PET-SCAN com PSMA

Antes de qualquer decisão terapêutica, era necessário responder à pergunta mais importante: a doença havia se espalhado? Para isso, foi solicitado o PET-SCAN com PSMA — um exame que combina tomografia e cintilografia em uma única sessão e é capaz de detectar metástases com até 27% mais precisão do que os exames convencionais.


O PSMA — Antígeno de Membrana Específico da Próstata — é uma proteína presente nas células do câncer de próstata. O exame utiliza essa proteína como alvo, "iluminando" qualquer foco da doença no corpo, seja nos ossos, nos pulmões, no fígado ou nos gânglios linfáticos do abdômen.

"É um exame que está mudando a forma como entendemos a extensão do câncer de próstata", afirma o médico. "Ele nos diz, com alto grau de certeza, se o paciente tem ou não metástase."


Cirurgia ou Radioterapia: A Sequência que Define o Futuro

A ausência de metástases abriu duas estradas para o paciente. De um lado, a cirurgia robótica — chamada prostatectomia radical — com linfadenectomia estendida, ou seja, a retirada não apenas da próstata, mas de três cadeias de gânglios de cada lado da pelve. Do outro, a radioterapia combinada com bloqueio de testosterona por 18 a 36 meses.


Mas existe uma nuance fundamental que poucos pacientes conhecem ao entrar nessa decisão: a sequência importa.

"Fazer A depois B é completamente diferente de fazer B depois A", alerta o Dr. Benigno. "O resultado em termos de cura do câncer pode ser equivalente. Mas em termos de continência urinária e preservação da ereção, não. Isso é completamente diferente."


A razão é anatômica. A radioterapia "solda" os tecidos ao redor da próstata, fundindo camadas que, numa cirurgia posterior, seriam naturalmente separáveis. Se o paciente faz cirurgia primeiro e, eventualmente, precisa de radioterapia para tratar uma recidiva, os resultados de preservação de qualidade de vida são significativamente superiores ao cenário inverso.


No caso do ciclista de 75 anos, com poucas comorbidades e disposição para enfrentar uma cirurgia robótica — já coberta pelos planos de saúde no Brasil por determinação da ANS —, a escolha recaiu sobre a prostatectomia com linfadenectomia estendida como primeira etapa.

A Honestidade que o Paciente Merece Ouvir

O Dr. Benigno é direto: dada a ruptura da cápsula prostática identificada na ressonância magnética e o Gleason 9, esse paciente tem cerca de 55% de chance de precisar, nos próximos cinco anos, complementar o tratamento com radioterapia.


"Isso não é uma má notícia. É uma informação que o paciente precisa ter para entender a sua jornada", diz o médico, usando uma analogia que qualquer pessoa pode compreender: imagine uma árvore completamente removida de um terreno, mas cujas sementes já estavam enterradas na terra, invisíveis ao olhar humano. Anos depois, uma nova muda brota. Com o câncer de próstata, a biologia funciona da mesma forma — células residuais podem permanecer adormecidas por anos antes de produzirem PSA novamente.


O objetivo máximo do tratamento é atingir o que os especialistas chamam de Trifecta: controle do câncer, continência urinária total e preservação da função erétil. Uma conquista que exige não apenas uma cirurgia bem executada, mas também fisioterapia pélvica antes e após o procedimento, e, quando necessário, reabilitação peniana com recursos como tadalafila, bomba a vácuo, ondas de choque focalizadas ou injeção intracavernosa.


As Perguntas que Podem Mudar uma Consulta

Para quem está diante desse diagnóstico — ou acompanha alguém que está —, o Dr. Benigno lista cinco perguntas essenciais a fazer ao urologista:


  1. Qual o meu grupo de risco e o que o Gleason significa para o meu caso?

  2. Preciso fazer um PET-SCAN com PSMA para avaliar se a doença está fora da próstata?

  3. Quais as opções de tratamento e qual a sequência recomendada para a minha idade e condição?

  4. Quais os efeitos colaterais e como posso reduzi-los com fisioterapia e reabilitação?

  5. Quando devo começar a fisioterapia pélvica? (A resposta, diz o médico sem hesitar, é: ontem.)


Uma Ferramenta Para Além da Consulta

Entre uma consulta e outra, o acompanhamento não precisa parar. A Clínica Uro Onco desenvolveu o UroTrack, um agente inteligente via WhatsApp que permite ao paciente registrar sintomas urinários — jato fraco, noctúria, perdas urinárias, recuperação da continência e da ereção — e gerar gráficos para apresentar ao médico.


"Assim como você leva o gráfico do PSA, por que não levar o gráfico dos seus sintomas?", questiona o Dr. Benigno. "Isso ajuda o urologista a tomar decisões mais acertadas."


Em 23 de junho de 2026, quando gravou este vídeo, o Dr. Bruno Benigno estava a menos de duas semanas de completar dez anos à frente do canal de YouTube dedicado à uro-oncologia — o mais antigo do Brasil nessa especialidade. Uma década de vídeos que, segundo ele, formaram uma geração de pacientes que chegam ao consultório fazendo perguntas avançadas.


"Cada homem que senta aqui na minha mesa tem uma história, tem os seus medos", reflete. "E é exatamente por isso que a informação precisa chegar antes do diagnóstico."

Para saber mais, agendar uma consulta presencial ou por teleatendimento, entre em contato com a equipe da Clínica Uro Onco.

🔸 Contato: ☎ (11) 2769-3929 📱 (11) 99590-1506 | WhatsApp: 📲 Link Direto

📍 R. Borges Lagoa 1070, Cj. Cobertura, Vila Mariana — São Paulo — SP

Somos especialistas em uro-oncologia e cirurgia robótica, atendendo pacientes de todo o Brasil. Entre em contato com nossa equipe pelo site, telefone ou WhatsApp para agendar uma consulta presencial ou por teleatendimento.

Considere se tornar um membro do nosso canal no YouTube. Temos uma live semanal para tirar dúvidas sobre câncer de próstata, além de conteúdos exclusivos para assinantes. Clique aqui para se tornar um membro

Dr. Bruno Benigno | Urologista | CRM SP 126265 | RQE 60022

Equipe da Clínica Uro Onco — São Paulo — SP

Palavras-Chave






Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page