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O que torna a cirurgia robótica da próstata diferente da técnica convencional?

Atualizado: 28 de abr. de 2020


O câncer de próstata é a doença maligna mais frequente em homens, quando excluímos os tumores originados na pele.


Aproximadamente 1.300.000 homens recebem um diagnóstico da doença todos os anos no mundo. No Brasil, aproximadamente 68.000 casos novos são esperados para 2020, segundo dados do Instituto Nacional do câncer.(1–3)

Cerca de 70% dos casos da doença são detectados no estágio inicial, quando ainda não há sintomas. O diagnóstico somente pode ser confirmado através da biópsia.


A apresentação dos tipos de câncer de próstata pode variar. Alguns casos podem ter comportamento biológico agressivo e outros tem crescimento lento indolente, causando pouco ou nenhum risco a vida do paciente.


Dessa forma, uma porção significativa dos homens diagnosticados com o câncer de próstata podem seguir um protocolo de acompanhamento, sem a necessidade de tratamento imediato. Este protocolo é conhecido pelos urologistas como vigilância ativa.(4)


A outra parcela dos homens que necessitam tratamento, tem que se deparar com a difícil situação ao escolher entre as duas principais modalidades disponíveis: a cirurgia ou a radioterapia. (5)


A cirurgia aberta, conhecida como prostatectomia convencional, é um procedimento cirúrgico consagrado desde a década de 80, após os trabalhos publicados pelo cirurgião norte americano Patrick Walsh. (6)

A técnica se baseia no princípio de preservação do músculo esfíncter urinário, responsável pelo controle da urina, e dos nervos que conduzem os estímulos da ereção, que se localizam lateralmente à próstata.


A cirurgia aberta é um método seguro, eficaz e amplamente testada nas últimas décadas. Os resultados relativos ao controle e cura do câncer são utilizados para comparação com técnicas modernas de cirurgia.


A partir do ano 2.000, a técnica de cirurgia por vídeo para remoção da próstata, através da utilização de uma micro câmera e finas pinças introduzidas por cânulas na parede abdominal do paciente, recebeu um incremento tecnológico conhecido como sistema robótico.(7–10)

Os resultados de controle do câncer com a robótica se mostraram equivalentes aos resultados obtidos com a cirurgia aberta. Isso levou a uma grande adoção da técnica, principalmente nos Estados Unidos, Europa e Japão.


Diversos estudos na literatura médica demonstraram a superioridade da cirurgia robótica em relação a um menor tempo de internação hospitalar, menor sangramento, menor dor no pós-operatório, amplificação na visualização dos tecidos durante a cirurgia, menor tempo para o retorno ao trabalho, assim como menor tempo para a recuperação do controle da continência urinária e retomada das ereções. (7,9,11–13)


Os benefícios descritos acima não foram atingidos de forma uniforme por todos os homens submetidos a cirurgia robótica. Pacientes com idade avançada, obesos, diabéticos, tabagistas e aqueles que detectaram a doença em estágios avançados, são o grupo de homens que apresentam resultados inferiores em termos de controle da continência e retomada da ereção, quando comparados aos homens sem as características listadas acima.


Da mesma maneira, é importante deixar claro que os pacientes neste grupo de comorbidades também apresentam resultados funcionais desfavoráveis quando submetidos a cirurgia aberta.


O sistema de braços robóticos é controlado pelo cirurgião através de um console com manopla de alta precisão, acoplada as a um visor tridimensional do campo cirúrgico.

Através deste sistema, o cirurgião é capaz de realizar todas as etapas do procedimento, mantendo o controle de vários parâmetros, como ajuste da profundidade da visão, controle de três braços robóticos de alta precisão e instrumentos, como bisturis elétricos.


A principal limitação da cirurgia robótica no Brasil ainda se relaciona aos custos. A tecnologia não está na cobertura das operadoras de saúde privada e nem disponível no sistema público de saúde.(14)


Os equipamentos e os profissionais capacitados ainda estão concentrados na região sul e sudeste do país. Contudo, a tecnologia segue cada vez mais disponível em outras regiões do território nacional.


Outro fator limitante é a necessidade de uma alta densidade de casos em centros de referência com alto volume para a capacitação adequada do time cirúrgico. Esta limitação acaba tornando a disseminação da técnica robótica mais lenta e dependente de centros com tecnologia e profissionais capacitados ao treinamento de novos cirurgiões.


Tendo em vista os avanços alcançados até aqui e as novas tecnologias que serão incorporadas aos sistemas robóticos em um futuro próximo, fica cada vez mais evidente a mudança de paradigma no tratamento cirúrgico do câncer de próstata em nosso meio.


Os avanços tecnológicos devem ser incorporados de forma a melhorar os resultados obtidos com os tratamentos, sem perder de vista o aspecto humano e a necessidade de praticar a medicina cada vez mais personalizada.


Escrito por:

CRM SP: 126265

Urologista do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz - SP






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