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Recorrência bioquímica após prostatectomia: quando se preocupar com o PSA?


Urologista analisando resultado de PSA com paciente em consulta.
Urologista analisando resultado de PSA com paciente em consulta.

Introdução

Depois da prostatectomia radical, muitos pacientes esperam ver o PSA zerado. Em grande parte dos casos isso ocorre: após a remoção completa da próstata, o PSA deve cair para níveis indetectáveis (< 0,03 ng/mL).Entretanto, em alguns homens o marcador volta a subir com o passar dos meses ou anos. Essa elevação é chamada de recorrência bioquímica e indica que restam células prostáticas ativas, benignas ou malignas.


Entender o que isso significa, quando investigar e quais são as opções de tratamento é essencial para agir no momento certo — nem cedo demais, nem tarde demais.

Definição de recorrência bioquímica

De acordo com as diretrizes EAU 2025 e NCCN 2025, considera-se recorrência bioquímica (BCR) quando:

  • PSA ≥ 0,2 ng/mL em duas dosagens consecutivas após cirurgia.

Um único valor de 0,1 ng/mL isolado não caracteriza recidiva.O tempo entre o nadir (valor mais baixo) e a elevação também importa: elevações precoces (< 12 meses) sugerem doença agressiva; elevações tardias (> 3 anos) tendem a indicar recidiva local.


O que pode causar PSA detectável após a cirurgia

  1. Restos benignos de tecido prostático (em margem da bexiga ou uretra).

  2. Doença residual microscópica não visível no momento da cirurgia.

  3. Recidiva local na loja prostática.

  4. Disseminação linfonodal ou óssea microscópica.

O desafio é diferenciar entre essas possibilidades com o mínimo de intervenções desnecessárias.

Imagem PET-PSMA com captação na pelve indicando recidiva.
Imagem PET-PSMA com captação na pelve indicando recidiva.

Fatores que influenciam o risco de recorrência

  • Gleason ≥ 8 ou ISUP 4–5.

  • Margens cirúrgicas positivas.

  • Invasão extraprostatica (pT3) ou de vesículas seminais (pT3b).

  • Tempo de duplicação do PSA (PSADT) curto (< 6 meses).

Pacientes com esses fatores merecem vigilância mais estreita e podem se beneficiar de tratamento precoce de resgate.


PSA detectável não é sentença

Cerca de 20 a 30 % dos homens apresentam alguma elevação de PSA após a cirurgia (EAU 2025).Porém, nem todos evoluem para doença clinicamente significativa.Estudos de Pound et al., JAMA 1999 e Boorjian et al., Eur Urol 2020 mostram que muitos permanecem estáveis por anos, sem necessidade de nova intervenção.


Exames de imagem modernos

O grande avanço na detecção precoce é o PET-PSMA (Prostate-Specific Membrane Antigen).Esse exame identifica recidivas com PSA muito baixos — a partir de 0,2 ng/mL — e supera em precisão a cintilografia óssea e a tomografia convencional.

  • Sensibilidade global: ~80 % para PSA > 0,5 ng/mL.

  • Detecção de lesão única (oligometástase): até 45 % dos casos (EAU 2025).

A combinação de PET-PSMA + RM pélvica fornece o mapa mais detalhado da doença residual e guia decisões terapêuticas personalizadas.


Comparativo visual de PSA indetectável e PSA recorrente.
Comparativo visual de PSA indetectável e PSA recorrente.

Tratamentos de resgate

  1. Radioterapia de resgate (RT-R):Indicada quando o PSA volta a subir, idealmente antes de atingir 0,5 ng/mL.

    • Melhores resultados quando aplicada precocemente (Trock et al., JAMA 2008).

    • Dose: 64–72 Gy na loja prostática, com ou sem irradiação pélvica.

  2. Terapia hormonal temporária (ADT):Associar 6 a 24 meses de bloqueio androgênico (análogos LHRH ± antiandrógenos) aumenta a taxa de controle bioquímico em até 20 % (RTOG 9601 – Spratt et al., NEJM 2017).

  3. Cirurgia de resgate (linfadenectomia ou excisão local):Indicada apenas em centros especializados e em casos bem localizados.

  4. Terapias sistêmicas modernas:Para doença metastática confirmada: apalutamida, enzalutamida, abiraterona, darolutamida ou lutécio-177 PSMA, conforme cenário clínico.

Equipamento de radioterapia direcionado à pelve.
Equipamento de radioterapia direcionado à pelve.

O papel do tempo de duplicação do PSA (PSADT)

O PSADT é calculado comparando duas a três dosagens em série.

  • < 3 meses: alto risco de metástases e mortalidade.

  • 3–12 meses: risco intermediário.

  • > 12 meses: recidiva local provável, prognóstico favorável.

Esse parâmetro é decisivo para definir a urgência da intervenção.


Tubos de ensaio com rótulos PSA 0.03 e 0.25 em bancada de laboratório.
Tubos de ensaio com rótulos PSA 0.03 e 0.25 em bancada de laboratório.

Acompanhamento após cirurgia

Protocolo recomendado (EAU 2025):

  • PSA a cada 3 meses no 1º ano.

  • A cada 6 meses do 2º ao 5º ano.

  • Anualmente após 5 anos, se estável.

A ausência de elevação por mais de 10 anos indica remissão duradoura.


Mensagem final

PSA detectável não significa fracasso do tratamento.Significa apenas que é hora de investigar com precisão.Graças ao PET-PSMA e à radioterapia de resgate precoce, muitos pacientes conseguem curar a recidiva antes que ela se espalhe.

O essencial é monitorar regularmente e discutir cada resultado com seu urologista — de forma racional, sem alarmismo e sem atrasos.


Referências principais

  1. EAU Guidelines on Prostate Cancer 2025.

  2. NCCN v2.2025 – Prostate Cancer.

  3. Spratt DE et al., NEJM 2017; 376:417–428.

  4. Trock BJ et al., JAMA 2008; 299:2760–2769.

  5. Boorjian SA et al., Eur Urol 2020; 78:105–115.

  6. Pound CR et al., JAMA 1999; 281:1591–1597.


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