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  • Dr. Bruno Benigno

Reversão de vasectomia. 10 coisas que você precisa saber antes de fazer

Atualizado: Mar 22


Por: Dr. Bruno Benigno (Urologista - CRM SP 126265)


Reversão de vasectomia:

É um método seguro e com elevado índice de sucesso para homens que decidiram engravidar novamente. O procedimento envolve uma microcirurgia para fazer a reconexão das duas extremidades dos ductos deferentes ou a conexão direta de uma extremidade no epidídimo.(1)


A primeira reversão de vasectomia em humanos ocorreu em 1902, em um paciente com obstrução secundária a uma inflamação do testículo conhecida como epididimite.(2)


Mas a primeira reversão com sucesso só aconteceu em 1919, com a utilização de microscópio durante a cirurgia.(3)


Em 1991 um grande estudo com 1469 pacientes submetidos a reversão de vasectomia, utilizando um microscópio, mostrou uma taxa de recanalização de 86% e uma taxa de gravidez de 53%, respectivamente. Esses resultados consolidaram a técnica moderna de reversão de vasectomia.(4)

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1. Quem pode fazer?

Homens que foram submetidos a vasectomia no passado, assim como aqueles que apresentam outros tipos de obstrução dos ductos deferentes, como sequelas relacionadas às infecções da bolsa escrotal ou mesmo cicatrizes provocadas após a correção de hérnia na região da virilha na infância.

Homens que apresentam a síndrome de dor após a vasectomia também podem passar por esta intervenção.


2. Como se preparar para a cirurgia?

A cirurgia é um procedimento considerado de pequeno porte, geralmente feita em clínicas especializadas ou centros médicos hospitalares. O paciente costuma ter alta no dia seguinte ao procedimento.

Seu urologista deve solicitar exames de sangue para avaliar os níveis de hormônios que controlam o bom funcionamento dos testículos (testosterona, LH e FSH)

Recomenda-se o jejum por pelo menos 6 a 8 horas antes da cirurgia. Não há a necessidade de preparo intestinal. A raspagem dos pelos da região genital é feita minutos antes ao procedimento pela equipe cirúrgica.

Não esquecer de levar todos os exames feitos no pré-operatório no dia da cirurgia.


3. Tipos de anestesia

A cirurgia comumente é feita com anestesia local. Contudo, para maior conforto do paciente uma sedação ou anestesia geral superficial costumam ser utilizadas.

A anestesia local mantém o seu efeito por aproximadamente 6 horas após o término da cirurgia.

Para evitar desconforto local utilizamos analgésicos, anti-inflamatórios e compressas de gelo na região genital.

Recomendamos também a utilização de suspensório da bolsa escrotal , diminuindo assim a tração exercida pelo peso dos testículos na área de reconexão dos ductos deferentes.


4. Onde é feita a incisão (corte) para a reversão?

São feitas incisões em cada lado da bolsa escrotal, que podem variar de 4 a 6 cm de comprimento.

Em casos onde a distância entre as extremidades do ducto deferente é muito grande, pode ser necessário uma incisão ampliada para a região da virilha. Felizmente isto ocorre em menos de 10% dos casos.


5. Como é feita a reconexão dos deferentes?

Utilizamos de 6 a 9 fios com espessura aproximada de um fio de cabelo. Os pontos são distribuídos de forma simétrica ao redor dos cotos dos ductos deferentes.

Antes da reconexão o urologista certifica que existem espermatozóides vivos em uma das extremidades que se conecta ao testículo.


A qualidade do esperma encontrado é avaliada utilizando a graduação de Silber(5) (escala que vai de 1 a 5).

A graduação de 1 a 3 indica espermatozóides de boa qualidade e a reconexão dos ductos deferentes pode ser concluída. Graduação de 4 a 5 indica má qualidade e alta taxa de insucesso. Dessa forma, a reconexão dos ductos deferentes é abortada imediatamente.

6. Quais as chances de sucesso?

As chances de sucesso são maiores em homens com menos de 50 anos, tempo de vasectomia menor , assim como naqueles que nunca passaram por tentativas de reversão de vasectomia anteriormente.


A taxa de recanalização e ejaculação de espermatozoides vivos varia de 60% a 90%. Já a taxa de gravidez pode chegar a 55%.(6)

As taxas de sucesso de gravidez também dependem de fatores como a idade da parceira, problemas de saúde que interfiram na possibilidade de engravidar, como endometriose por exemplo, assim como o histórico de tentativas prévias de gravidez.


7. Tipos de técnicas de reversão

A reversão da vasectomia pode ser atingida através da conexão direta entre as duas extremidades dos ductos deferentes (vaso-vaso plastia) (1). Uma técnica alternativa é a reconexão da extremidade ligada ao pênis diretamente no testículo, em uma região anatômica conhecida como epidídimo (vaso-epidídimo plastia).


Utilizamos esta última técnica apenas em situações onde não é possível a conexão direta entre as duas extremidades do ducto deferente.


8.Como é a recuperação após a cirurgia?

O paciente deve manter um repouso hospitalar por 24 horas, evitar atividades físicas intensas e ejaculação por 4 a 6 semanas.


Costumamos liberar para dirigir carro e moto a partir da terceira semana após a cirurgia.

O exame de espermograma é feito em 2,4 e 6 meses após a reversão da vasectomia.

Receitamos antibióticos, anti-inflamatórios e medicações analgésicas por aproximadamente 7 a 10 dias após a cirurgia.


Recomendamos também a utilização do suspensório escrotal por aproximadamente três semanas após o procedimento.


9. Quanto custa uma cirurgia para reverter a vasectomia?

O custo da reversão de vasectomia é variável e depende do tamanho e estrutura da equipe médica de cada cirurgião. A qualidade do material cirúrgico utilizado, como fios de sutura e microscópios digitais com auto ajuste de foco a laser, por exemplo, interferem diretamente nos custos.


A cirurgia para reversão de vasectomia não está dentro do Rol de procedimentos autorizados pela Agência Nacional de Saúde (ANS), significando que convênios não são obrigados a custear.


Em média, os custos variam de 15.000 a 30.000 reais ( valores de 2021 )


10. Caso não funcione, quais as minhas opções?

Nos casos em que a reversão de vasectomia não funciona utilizamos técnicas de microcirurgia para remover os espermatozóides vivos diretamente do testículo.

Esse método é utilizado para técnicas de fertilização in vitro e também tem elevadas taxas de sucesso.


Os custos da fertilização in vitro costumam ser maiores que os da reversão de vasectomia. (7)


Contato com a equipe e orçamentos: aqui


1. Namekawa T, Imamoto T, Kato M, Komiya A, Ichikawa T. Vasovasostomy and vasoepididymostomy: Review of the procedures, outcomes, and predictors of patency and pregnancy over the last decade. Reprod Med Biol. outubro de 2018;17(4):343–55.

2. Lopushnyan NA, Walsh TJ. Surgical techniques for the management of male infertility. Asian J Androl. janeiro de 2012;14(1):94–102.

3. O’conor VJ. Anastomosis of the vas deferens after purposeful division for sterility. J Urol. fevereiro de 1948;59(2):229–33.

4. Belker AM, Thomas AJ, Fuchs EF, Konnak JW, Sharlip ID. Results of 1,469 microsurgical vasectomy reversals by the Vasovasostomy Study Group. J Urol. março de 1991;145(3):505–11.

5. Silber SJ. Microscopic vasectomy reversal. Fertil Steril. novembro de 1977;28(11):1191–202.

6. Silber SJ. Perfect anatomical reconstruction of vas deferens with a new microscopic surgical technique. Fertil Steril. janeiro de 1977;28(1):72–7.

7. Shridharani A, Sandlow JI. Vasectomy reversal versus IVF with sperm retrieval: which is better? Curr Opin Urol. novembro de 2010;20(6):503–9.


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