top of page

Metástase e Biópsia de Próstata: O Que Diz a Ciência?

Biópsia de próstata: mitos e verdades



Por: Dr. Bruno Benigno, Uro-oncologia e Cirurgia Robótica - CRM SP 126265

Olá, caros leitores, é um prazer recebê-los novamente. Sou Bruno Benigno, urologista, e estou aqui para abordar um dos principais receios e preocupações enfrentados pelos homens quando o assunto é biópsia de próstata: o risco de não detectar o foco da doença na área de interesse.

Para esclarecer essa questão, trarei a pergunta de Valdir, enviada através do nosso canal no YouTube. Ele indaga sobre uma afirmação de um médico que compara a biópsia a um tiro no escuro, destacando a possibilidade de amostras serem retiradas de pontos sem tumores, gerando falsos negativos. Além disso, questiona se o procedimento causa danos ao órgão.

Valdir, o primeiro ponto que você menciona é o risco de falso negativo. Isso ocorre quando um homem possui um câncer de próstata muito pequeno, que ainda não formou um nódulo visível. Nessa situação, localizar o ponto ideal para inserir a agulha durante a biópsia pode ser bastante desafiador. Como minimizar esse risco?

O exame de toque retal é importante para identificar a área em que já existe o nódulo. No entanto, apenas 30% dos homens com câncer de próstata apresentam um nódulo detectável durante o toque. Para encontrar as áreas de interesse, utilizamos o ultrassom transretal, mas uma opção ainda mais eficiente é a ressonância magnética multiparamétrica. Esse exame avalia diferentes parâmetros, fornecendo uma visão mais precisa ao médico, o que reduz o risco de falso negativo.

Recentemente, uma máquina chamada micro ultrassom, encontrada em algumas clínicas de biópsia, tem sido utilizada para obter imagens semelhantes às da ressonância magnética. Isso também contribui para diminuir a chance de falso negativo. Além disso, existe a tecnologia de fusão de imagens, em que as imagens da ressonância realizada antes da biópsia são sincronizadas em tempo real com as imagens obtidas durante o procedimento de ultrassom. Essa técnica proporciona ao urologista um mapa preciso das áreas de interesse na próstata, reduzindo, assim, os riscos de falso negativo.

O futuro aponta para a integração dessas imagens com exames ainda mais avançados, como a ressonância magnética em conjunto com o PET-SCAN, porém, essas opções ainda são caras e estão disponíveis apenas em dois locais no Brasil, levando em consideração que este vídeo está sendo gravado em 2023. Portanto, embora a biópsia seja um procedimento que envolve certo grau de aleatoriedade, buscamos minimizar esse risco utilizando essas tecnologias.

A segunda parte de sua pergunta aborda a possibilidade de danos ao órgão. O único dano existente é uma inflamação nas áreas em que o tecido foi removido. A boa notícia é que essa inflamação é temporária e dura de duas a três semanas, não causando nenhuma sequela ao paciente, como incontinência urinária ou impotência sexual.

No entanto, existem riscos associados à biópsia, sendo o principal deles a possibilidade de infecção urinária e pequenos sangramentos durante a micção ou ejaculação. Para reduzir o risco dessas complicações, são administrados antibióticos durante o procedimento e por alguns dias após a biópsia, garantindo que não haja desenvolvimento de infecção urinária ou prostatite.

Embora você não tenha mencionado em sua pergunta, um dado importante que preocupa muitos pacientes é o risco de metástase. Muitas pessoas questionam se a biópsia pode levar as células cancerígenas a se espalharem para outros órgãos.

Para responder a essa pergunta, vou citar um estudo (1) realizado há cerca de 10 anos atrás, no qual compararam-se homens que receberam o diagnóstico de câncer de próstata e realizaram até 4 biópsias. Além disso, avaliou-se a quantidade de fragmentos retirados durante essas biópsias. A lógica era a seguinte: quanto mais biópsias um homem faz e quanto mais fragmentos são removidos, maior seria o risco de desenvolver metástases no futuro.

Surpreendentemente, esse estudo demonstrou que não havia diferença significativa no risco de metástase entre aqueles que fizeram biópsias com 12 ou 21 fragmentos, ou entre aqueles que fizeram duas, três ou quatro biópsias antes de confirmar o diagnóstico. A única variável relevante para o risco de desenvolver metástases era a agressividade da própria doença. Portanto, a biópsia de próstata é um procedimento seguro e não aumenta o risco de metástase.

Valdir, espero que essas informações tenham sido úteis para você. Caso queira saber mais sobre nosso trabalho, convido-o a acessar nosso site em www.clinicauroonco.com.br e a nos seguir nas redes sociais. Será um prazer compartilhar mais informações e responder às perguntas que vocês queiram enviar nos comentários deste vídeo. Agradeço novamente sua atenção e até a próxima edição.

Por: Dr. Bruno Benigno, Uro-oncologia e Cirurgia Robótica - CRM SP 126265


🔸contato: ☎(11) 2769-3929 📱(11) 99590-1506 | whatsapp: 📲 https://bit.ly/2HCRkgt 💻 https://www.clinicauroonco.com.br/ Agenda: http://bit.ly/2WMMiCI R. Borges Lagoa 1070, Cj 52 V. Mariana - São Paulo - SP Dr. Bruno Benigno CRM SP 126265 Urologista do H. Alemão Oswaldo Cruz Uro-oncologia e Cirurgia robótica Instagram: @dr_benigno






258 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Comments

Rated 0 out of 5 stars.
No ratings yet

Add a rating
bottom of page